quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A Queda de Gondolin traduzida - parte 2


Hoje continua a bela e trágica batalha pela cidade de Gondolin, do Book of Lost Tales 2. Para mais informações veja o primeiro post. Boa leitura.



[pg 175]

“Então veio do sul da cidade o povo da Fonte, e Ecthelion era seu lorde, e prata e diamantes eram o seu deleite; e eles empunhavam espadas muito longas e luminosas e pálidas e entraram na batalha ao som de flautas. Atrás deles veio a multidão da Harpa, e este era um batalhão de guerreiros corajosos; mas o seu líder, Salgant era um covarde e ele bajulava Meglin. Eles estavam adornados com pendões de prata e pendões de ouro e uma harpa de prata sobre um campo negro brilhava como seu emblema; mas apenas Salgant portava uma harpa de ouro e somente ele cavalgou até a batalha dentre todos os filhos dos Gondothlim e ele era pesado e troncudo.”
“Agora, o último dos batalhões era composto pelo povo do Martelo da Ira e destes vinham os melhores ferreiros e artesões, e todo aquele povo reverenciava Aulë, o Ferreiro acima de todos os Ainur. Eles lutavam com grandes maças, como martelos, e seus escudos eram pesados, pois tinham braços fortes. Em dias antigos eles recrutaram muitos dos Noldoli que escaparam das minas de Melko, e o ódio desta casa para com os trabalhos daquele ente maligno e para com os Balrogs, seus demônios, era excessivamente grande. E o seu líder, Rog, era o mais forte dos Gnomos, e quase primeiro em valentia, atrás de Galdor da Árvore. O símbolo deste povo era a Bigorna Martelada, e um martelo que lançava faíscas sobra ela estava em seus escudos, e ouro vermelho e ferro negro eram seu deleite. Muito numeroso era aquele batalhão, e nenhum dentre eles era fraco de coração e eles ganharam a maior glória dentre todas aquelas casas valorosas naquela batalha contra a ruína; no entanto, seu destino era infeliz e nenhum deles jamais escapou daquele campo, mas caíram ao redor de Rog e desapareceram da Terra; e com eles muito da habilidade e perícia também foram perdidos para sempre.”
...
[pg177-178]

“E agora os monstros vieram pelo vale e as torres brancas de Gondolin se avermelharam diante deles; mas os mais valentes entre eles sentiram pavor ao contemplarem aqueles dragões de fogo e aquelas serpentes de bronze e ferro que já rondavam ao redor da colina da cidade; e atiravam flechas neles inutilmente. Então há um grito de esperança, pois observem, as serpentes de fogo não conseguem subir a colina por sua declividade e sua superfície lisa e por razão das águas que escorriam por suas laterais; mas eles permanecem ao pé da colina e um grande vapor sobe onde os riachos de Amon Gwareth e as chamas das serpentes se encontram. Então subiu um calor tão grande que as mulheres desmaiavam e os homens suavam até a exaustão embaixo de suas cotas de malha e todas as nascentes da cidade, exceto pela fonte do rei, se aqueceram e lançavam vapores.”
“Mas então Gothmog, lorde dos Balrogs, capitão das fileiras de Melko, deliberou e reuniu todas as suas criaturas de ferro que conseguiam se enrolar ao redor e sobre todos os obstáculos diante deles. Ele ordenou que estas se empilhassem diante do portão do Norte; e suas espirais atingiram seu limiar e se lançaram sobre as torres e bastiões ao redor e, por causa do peso excessivo de seus corpos, aqueles portões caíram e houve um grande barulho: mas a maior parte dos muros ao redor das serpentes permaneceu firme. Então as máquinas e catapultas do rei lançaram dardos e pedras e metal derretido sobre aqueles monstros implacáveis, e suas barrigas ocas tiniram diante daqueles golpes, mas sem sucesso, pois não podiam ser quebrados e o fogo apenas escorria por eles. Então as serpentes superiores se abriram no meio e uma horda incontável de Orcs, os goblins do ódio, se lançaram contra a fenda; quem contará sobre o cintilar de suas cimitarras ou o brilho de suas lanças de ponta larga com as quais estocavam?”
“Então Rog gritou com uma voz poderosa e todo o povo do Martelo da Ira e o povo da Árvore, com Galdor o valente, se lançaram contra o inimigo. Lá os golpes de seus poderosos martelos e o tinir de suas clavas ecoaram nas Montanhas Circundantes e os Orcs caíram como folhas; e aqueles da Andorinha e do Arco atiraram flechas como uma chuva escura de outono sobre eles e ambos Orcs e Gondothlim caíram diante delas por causa da fumaça e confusão. Grande foi aquela batalha, mas apesar de toda a valentia dos Gondothlim, por causa do número crescente de seus inimigos, eles foram lentamente empurrados para trás até que os goblins controlassem a parte norte da cidade.”

2 comentários:

  1. Muito obrigado por teu nobre trabalho, grande Aramil!

    Eu estava mesmo ansiando por esta segunda parte!

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