quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Histórias de Beleriand: O Paladino Perdido

Olá leitores. Aramil está de volta, após a explicação sobre magias do meu amigo meio-golem na semana passada. Hoje teremos mais um capítulo da história escrita por Maglor. Boa leitura.

A
ldarion mudou o curso do Reino de Sirion, sendo um general brilhante e ganhando várias batalhas decisivas. Um devotado paladino a serviço de Bahamut, ele descobriu o seu chamado cedo na vida, aos 13 anos, quando teve uma visão do Grande Dragão de Platina. 

Nessa visão, Aldarion estava de pé em uma colina coberta de relva, observando o sol poente, quando percebeu uma enorme sobra no chão. Ao olhar para cima, viu um grande dragão prateado, com seus olhos azuis profundos fixos no jovem, sobrevoando o local onde estava. Aldarion ficou imobilizado, mas não de medo. O dragão pousou na sua frente, uma montanha de ossos e músculos cobertos com escamas prateadas na frente de um ser minúsculo, insignificante, um rapaz de 13 anos. Um vento frio soprava, balançando as flores do campo. Ambos ficaram se encarando por um longo tempo, sem piscar, até que Bahamut, com suas longas e afiadas garras, abriu um buraco na lateral da colina.

Aldarion olhou para o buraco e viu dois objetos: uma espada e um bloco de gelo. A espada era muito bem feita, mas simples, sem jóias incrustadas, ornamentos ou runas. Ela possuía vários arranhões na lâmina, como uma espada usada em muitas batalhas. E, em cada arranhão, Aldarion conseguia enxergar os monstros que tombaram perante aquela arma, conseguia sentir as várias vitórias conquistadas pelo seu dono. Ele conseguia enxergar a história daquela espada, tão claramente como se estivesse escrita em um livro.

Mas o menino não conseguia enxergar direito o que havia dentro do bloco de gelo, que o fascinava. Olhando atentamente, parecia ser um coração. Como se respondendo ao desejo de Aldarion a lâmina da espada irrompeu em chamas. O jovem, então, pegou a espada, que um dia seria sua, de dentro do buraco e a aproximou do bloco de gelo, que começou a derreter. Mas aquele gelo parecia não ter fim, e Aldarion concentrou todo seu esforço para derretê-lo. Por fim, exausto pelo esforço, todo o gelo havia se transformado em água e, diante daquele rapaz, havia um coração humano.

Em seu cansaço e diante daquela visão bela e terrível, Aldarion baixou sua guarda e o fogo extinguiu-se da espada. Naquele momento, o coração começou a pulsar, e, ao invés sangue, ele espirrou um veneno preto em direção à Aldarion. O veneno atingiu o paladino no rosto, cegando-o e também atingiu a espada. Aldarion tentou gritar, mas não conseguia. O veneno começou a corroer a espada, apagando todas aquelas belas marcas, todas aquelas vitórias. Ele lavava toda a honra e glória conferida por aquela lâmina, tudo perdido por causa de um coração...

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– Senhor Aldarion! Cavaleiros adiante! O que devemos fazer?

– O quê? – Aldarion diz, saindo de um devaneio. – Cavaleiros? Devem ser os clérigos que Cassandra está esperando. Vamos aguardá-los aqui.

– O que foi, querido – indaga Cassandra – você parece distraído.

– Nada, eu só estava lembrando de um sonho que tive, muitos anos atrás...

3 comentários:

  1. Pelas minhas barbas... está história não terá um final feliz, portanto, aqueles que forem fracos de coração estão desaconselhados a continuar a leitura...

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  2. Que interessante (e triste) a visão de Aldarion. Muito legal mesmo. Eu me lembro daquela vez que o Richard tentou conversar com o Aldarion (que dó!).

    Hei, Odin, aqueles que gostam de finais felizes não tem o coração fraco, humpf! Hahaha, brincadeira.

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  3. Hahaha, tens razão, lady Astreya. Minhas desculpas...

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