quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Histórias de Beleriand: Tavernas, Canecas, Anões ...

Caros leitores assíduos ou esporádicos, hoje é quinta-feira novamente e isso quer dizer que vos trarei mais uma História do Diário de Maglor. Então “senta que lá vem história”. Boa leitura.


[Errata: perdão caros leitores, mas cometi um equívoco na história, que foi corrigido abaixo. As correções estão em negrito. Obrigado pela compreensão. Modificado em 27/08/11]

Enquanto caminhavam, Rudolph tentava criar uma descrição poética do que havia acontecido nos últimos dias, sussurrando para si mesmo:
—        Os aventureiros diante dos gigantes tombaram...
            Clavas enormes no ar se elevaram...
            Mas flechas certeiras voaram e os derrubaram
            Alguém estava lá para salvá-los da morte
            Todos exclamaram: “Rudolph! Que sorte!”
— O que você disse!? — gritou Erick.
— Nada, nada, só pensando alto — Rudolph respondeu.
— Caramba, eu preciso de um bom descanso e de muita cerveja depois de passar por Ramdal. Aqueles gigantes amassaram toda minha armadura com suas pedras idiotas — Reidan fala para o grupo pela terceira vez.
— Nós sabemos, Reidan — Zingara diz, obviamente irritada.
— Quem manda usar armadura. Homens de verdade agüentam o tranco na pele! — Joselito fala para Reidan.
— Pessoal, vamos lá, vamos nos concentrar. Estamos quase chegando na cidadela dos anões. Precisamos levar estes corpos até lá — interveio Erick. — Eles merecem um enterro digno e nós uma recompensa.

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Depois de passaram por Ramdal onde tiveram encontros com alguns gigantes, o grupo havia encontrado um grupo de orcs liderados por um ser diabólico: era humanóide, de pele acinzentada e parecia não haver nada entre ela e seus ossos de tão magro. Mas também tinha uma cauda longa que terminava em um ferrão venenoso. Eles estavam pilhando os corpos de cinco anões quando os aventureiros os encontraram.

Após uma breve batalha todos os seus inimigos estavam mortos. Mas o que os preocupara era que encontraram um medalhão no líder dos orcs, com um símbolo de Mephisto. Como não estavam longe de Amon Ereb, onde havia uma cidadela dos anões, chamada Keled Zharam, resolveram levar os corpos até lá.
Progresso dos nossos aventureiros

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Diante dos portões de Keled Zharam, o grupo se encontrava cercado por uma dúzia de guardas anões fortemente armados. Se não fosse pelos corpos dos anões que carregavam, nunca teriam encontrado aquela entrada. Por outro lado, se não fosse pelos corpos dos anões que carregavam, não teriam sido cercados e tratados com hostilidade.
— Abaixem suas armas, não vou repetir! — gritou o líder dos anões, Gilin.
Rudolph tentou explicar novamente:
— Eu já expliquei, nós encontramos seus companheiros mortos e cercados por...
— Quieto bardo. Vocês só não estão mortos agora por que nosso clérigo quer se certificar que estão falando a verdade. Até lá vocês serão tratados como prisioneiros!
Joselito olha com fúria para Gilin:
— Não sou prisioneiro de ninguém! Muito menos de um filho de uma...
Nesse momento Rudolph dá um grito para abafar o que Joselito iria dizer.
— Calma pessoal, não adianta ficarmos exaltados, hehe  — diz em seguida.
Gilin olha seriamente para Joselito, mas não diz mais nada.

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—Ufa! Essa foi por pouco. Graças ao Joselito, novamente! — Zingara olha feio para o bárbaro, que estava ocupado bebendo litros e litros de cerveja e hidormel.
— O importante é que o clérigo deles confirmou nossa história. Ele disse que hoje estaria ocupado com os preparativos funerários, mas que gostaria de conversar conosco amanhã. Mas por hoje podemos descansar e aproveitar sua hospitalidade.
— Nossa, os anões são extremistas mesmo. Se forem seus inimgos, você está ferrado. Mas se forem seus amigos, não há amizade melhor! Ainda bem que ficaram gratos por termos trazido os corpos de seus companheiros. Cerveja grátis! Não é Rhenuliu! — exclama Reidan, cutucando o elfo.
Rhenuliu estava encolhido no canto da mesa dos aventureiros, obviamente se sentindo miserável.
— Ah, sim. Não há lugar melhor para se estar do que debaixo de toneladas de pedra, em um ambiente claustrofóbico, cheirando a urina de rato e com essa barulheira embriagada infernal! — Rhenuliu responde ironicamente.
— Esse é o espírito! — completa Reidan dando risada e virando mais um copo de hidromel.

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Após vários copos de cerveja e hidromel, Reidan se levanta e diz:
— Ei pessoal, quero me divertir um pouco. Quem quer tirar queda de braço?
Ninguém responde, nem Joselito, que está desmaiado em um canto após beber um barril de hidromel.
— Nossa, seus maricas. Vou achar alguém que queira me desafiar então. — Ele se vira para a taverna, cheia de soldados anões em seus turnos de folga e grita:
— Qual de vocês acha que pode me derrotar em um torneio de queda de braço!
A taverna silencia por um momento, até que um soldado se levanta e grita:
— Eu, seu humano fracote! Sente-se aqui na minha mesa. Furin vai te ensinar o significado de força!
Reidan sorri e vai até a mesa.
— Isso aí, finalmente um pouco de diversão! Vamos lá! O que você quer apostar?
— Duas peças de ouro.
— Só isso? Vamos lá, vamos tornar isso interessante. Se eu vencer, você será meu servo por uma semana.
O anão olha para Reidan e diz:
— Você está muito confiante, humano. Mas tudo bem, se você vencer, serei seu servo. Acredite, isso não vai acontecer! Mas QUANDO EU, vencer, você será meu servo por uma semana.
— Hahaha, tudo bem anão. É uma aposta. Vou adorar ver você escovar minhas botas!!

Uma roda forma-se ao redor da mesa dos dois. Ambos se posicionam para iniciar a disputa, ajeitando seus corpos e travando seus braços.
Um anão começa a fazer contagem regressiva:
—3... 2... 1... JÁ!!!

Reidan usa toda sua força contra o braço musculoso do anão, mas ele não se mexe. Eles permanecem equilibrados, com os braços no centro da mesa. O anão dá uma risadinha do esforço de Reidan e começa a fazer mais força. O braço de Reidan lentamente começa a abaixar. Reunindo todas suas forças, Reidan começa a empurrar o braço do anão de volta para o centro da mesa. Furin, surpreso, tenta segurar Reidan. Ele faz força, veias saltam em seu braço, mas o guerreiro humano continua empurrando.

Perto de perder, desesperado, Furin dá um grito:
— AHHHHHH! Por Moradin!
O rosto do anão fica mais vermelho ainda (além da vermelhidão causada pela cerveja). Ele consegue impedir o avanço de Reidan e começa a ganhar terreno. Furin, ofegante, consegue virar a disputa. Ele empurra, faz força, berra e o braço de Reidan continua a descer.

Vendo que seu braço está quase tocando a mesa, Reidan também dá um grito:
—AHHHHHH! Eu não vou perder. Eu... vou... ganhar... maldito... anão!
Reidan faz um último esforço e...

[continua na semana que vem]

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Aramil recomenda: The History of Middle-earth – The Book of Lost Tales 1


Prezados leitores, nesta quinta-feira inicio uma nova seção, intitulada Aramil recomenda, na qual trarei recomendações de leitura. Inicialmente será composta por cinco partes, revisando os cinco primeiros livros da séria The History of Middle-earth (só comprei estes cinco por enquanto), mas poderá ser expandida. Espero que ajude.
Este foi o box que ganhei de aniversário!

Para quem é fã de Tolkien, como eu, The History of Middle-earth – The Book of Lost Tales 1, é uma obra excelente. Este livro foi publicado após a morte do grande Mestre Tolkien e foi editado por seu filho, Christopher Tolkien.

Mas, sinto-me obrigado a fazer um aviso (principalmente aos não-elfos, de limitada capacidade mental): este não é um livro fácil de se ler, pelos seguintes motivos:

1)      Não existe versão em português (que eu conheça, pelo menos), só inglês.

2)      Os textos de Tolkien, propriamente ditos, possuem expressões em inglês obscuras, e até arcaicas. Os comentários do Christopher Tolkien são mais fáceis de ler.

3)      O livro apresenta histórias alternativas às que conhecemos do Silmarillion, podendo causar confusão em certas partes. Por vezes, existem até quatro versões de uma mesma história (com diferenças pequenas).

4)      Presença de muitos nomes e designações novas; novas relações de parentesco entre os Valar e entre os elfos. Por exemplo, Melko tinha um filho chamado Kosomot (que depois se tornaria Gothmog na mitologia final).

Então, se você está pensando em ler este livro, minha recomendação (como a de muitos outros sites) pode ser resumida pelo seguinte esquema:

Gostou do Apêndice do Senhor dos Anéis à Leia o Silmarillion

Gostou do Silmarillion à Leia Contos Inacabados

Gostou de Contos Inacabados à Leia The Book of Lost Tales 1

Bem, avisados estão, então vamos às partes boas do livro:

Todo capítulo inicia-se e termina com comentários do Christopher Tolkien, o que ajuda muito na compreensão do texto. Ele compara as discrepâncias e a evolução entre a mitologia inicial e a escrita no Silmarillion.

Existe um Apêndice de nomes no final do livro apresentando a raiz etimológica em élfico de cada nome relevante que ajuda a compreender a relação entre nomes e o significado de cada um.

Para auxiliar no inglês arcaico existem um Glossário de Palavras, Obsoletas, Arcaicas e Raras. Por exemplo, o glossário traz ‘flittermice’ = bats (morcegos); ‘lustihead’ = vigour (vigor).

O que eu mais apreciei no livro foram as explicações profundas de certas partes resumidas do Silmarillion. Na realidade, ao ler este livro, percebi que o Silmarillion realmente é um tipo de resumo da mitologia e que existia muito mais a ser explorado.

As Histórias Perdidas (Lost Tales) trazem informações interessantes do início da mitologia. Alguns exemplos incluem:

a)      Descrição dos Salões de Mandos e a revelação de que alguns homens também vão para lá após a morte. Alguns são levados às terras desoladas fora de Valinor (‘Eruman’ e ‘Arvalin’) pelo navio negro ‘Mornië’. E outros ainda são apanhados por Melko e são levados à ‘Angamandi’ (Infernos de Ferro).

b)      Presença de novos deuses (Valar) que não “sobreviveram” na mitologia amadurecida, como Makar (um tipo de deus da guerra ou barbárie) e sua irmã Meássë (um tipo de deusa da guerra ou barbárie), que eram favoráveis à Melkor (ou melhor, Melko, como é conhecido no livro), mas ainda viviam em Valinor.

c)      Indícios da origem dos homens no Oriente: uma história diz que os homens foram encontrados adormecidos em um vale (‘Murmenalda’) perto do reino do elfo negro , um mago, pelo elfo negro ‘Nuin’, que ensinou os homens a falarem. Breve descrição de uma guerra entre homens e elfos negros.

d)     Um mapa que mostra o formato de Arda, intitulado I Vene Kemen (algo com ‘O Formato da Terra’), mostrando que Arda era plana e no formato de um barco viking. Além disso, mostra também que toda a Terra-média era cercada por um Mar Exterior (‘Vai’ ou ‘Neni Erùmear’), incapaz de suportar barcos.
I Vene Kemen 
Bem, em conclusão The Book of Lost Tales 1 é um livro difícil de ler, mas muito recompensador. Para mim, mais se assemelhou a um estudo do que a uma leitura de ficção, devido à natureza fragmentada dos textos, mas com uma riqueza mitológica comparável ao Silmarillion. Então, se você leu o Silmarillion e ainda quer mais, este livro vale a pena!

domingo, 14 de agosto de 2011

Oyama Aprova - Sanosuke Sagara


Olá a todos, nem sei como começar essa postagem, depois de tanto tempo sem passar por aqui, digamos apenas que meu alter ego é um idiota sem foco, característica típica de um fracassado sem futuro. Mas vamos ao que interessa, desgraçados que sabem moer a fuça alheia com estilo.

A muito tempo atrás postei aqui a história do monge Anji Yukyuuzan personagem terciário do manga Samurai X. Hoje trago-lhes um personagem muito mais conhecido desta ótima saga, o melhor amigo de Kenshin, o comprador de brigas, Sanosuke Sagara.

Zanza como também era conhecido no início da saga, foi membro junior da Sekihoutai uma tropa especial que servia de apoio ao Exercito Imperial ao colher informações e fazer alianças com feudos. porém após um tempo, por conta de intrigas e dissoluções a tropa é acusada de ser contra o império o que leva à execução Souzou Sagaro, um ídolo para Sanozuke, que após isso adota o nome Sagara e adiciona a palavra "mau" (Aku).

Após isso começa a trabalhar como lutador de aluguel "comprando brigas" e acaba por ser contratado para lutar contra kenshin e assim, forçar Kaoru a vender seu dojo. Ele é derrotado e após ouvir kenshin ele decide desistir de seu "trabalho" e passa a integrar a equipe.

aqui está um clip com montagens de cenas dele



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Elgalor's Funtime! - Os Super-Heróis nos Comerciais de TV

Frodo: - Saudações nobres amigos. Hoje para diverti-los trago alguns comerciais de TV estrelados pelos nossos super heróis favoritos! Confiram:

1) Bebida Coolatta Capitão America


2) Super Heroínas


3) Hulk na propaganda da TIM


4) Super-Heróis e o Cartão VISA


5) Super heróis contra osteoporose


6) Pra finalizar o brasileiríssimo X-Mearim (sim vcs irão passar raiva)


Até a próxima!

Histórias de Beleriand: Estrada para Perdição

Olá leitores. Hoje é... quinta-feira. Dia de mais um conto do livro de Maglor. Boa leitura.



A sábia maga Bosker-Lurs escreveu:

Ser traído por alguém em quem se confia profundamente provoca um grande conflito na alma. Este conflito provoca uma paralisia, uma inabilidade de agir de acordo com a lógica ou de acordo com algum código interno de conduta. Ser traído provoca uma resposta inata em nossas mentes: o ente que nos traiu, a idéia da pessoa em quem confiamos, efetivamente morre e sempre que há uma morte, uma perda, passamos pelos cinco estágios do luto.

Aldarion foi traído por Cassandra. No início

Negação: ele não podia acreditar no que estava acontecendo. Mesmo vendo sua amada invocar os poderes profanos do demônio Morgoth, mesmo vendo seus companheiros serem mortos pelos clérigos que serviam à Cassandra. Ele não conseguia levantar a espada contra a mulher com a qual havia dividido sua cama, a quem tinha entregue seu coração e alma. Ela não podia estar fazendo isso. Deveria ser alguma feitiçaria. Ele faria de tudo até encontrar o culpado e...

BAM! Escuridão. Aldarion acorda preso em algum calabouço, um inferno de ferro. Diante dele está uma visão aterradora, Morgoth e...

Raiva: Cassandra! A maldita vadia que o traíra. “Vou te matar! Quando eu me soltar daqui você saberá o que é dor de verdade! Puta, meretriz, como você pode!” Morgoth e Cassandra só respondem com risos, alimentando a fúria do Paladino Perdido. Cassandra olha para Morgoth e diz: “Sabe, querido, não sei como consegui agüentar tanto tempo com este idiota. Ele nunca me satisfazia de verdade. Eu sempre tinha de morder meu lábio para não gritar seu nome na cama. Bem, já passou. Agora vem a parte divertida. Você, tolo Aldarion, é quem descobrirá o que é dor... agora!”.

Mais escuridão. Aldarion acorda. Seu o corpo, destruído. Sua honra, manchada. Seu coração, um vazio. Cassandra aparece...

Negociação: “Cassandra, eu sei que há uma faísca de bondade dentro de você. Nenhum ser está além da salvação. Eu sei que você me amou um dia, e eu amei... amo você. Volte para mim. Afaste-se desse demônio a quem serve. Eu faço o que você quiser. Renunciarei minha fé, meu povo, meu deus, qualquer coisa. Eu renuncio Bahamut. Por favor! Por favor, não vá, não vá...”

O tempo perde sentido na mais completa escuridão. Aldarion, sozinho em sua cela, ouvindo os uivos e gritos dos outros prisioneiros, fala sozinho quando Cassandra aparece...

Depressão: “Pronto para encontrar seu destino, querido? Não se preocupe, um dia te encontrarei no inferno”. Aldarion nem olha para sua visitante, ele só diz: “É o fim. Perdi tudo de mais precioso que tinha. Minha fé, quebrada. Um paladino sem fé não é nada. Minha honra, perdida. Um homem sem honra não tem valor. Bahamut me abandonou aqui. Você me abandonou, me destruiu por dentro. Não há mais nada. Então arraste-me para o inferno, para que, pelo menos, eu possa sentir alguma coisa, mesmo que seja dor e horror.” Cassandra olha para ele com um sorriso no rosto: “Falta pouco, querido... hahahahaha... ”

Em um monastério em Tol Galen...

            Aceitação: Ainda não... 



quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Histórias de Beleriand: O Paladino Perdido

Olá leitores. Aramil está de volta, após a explicação sobre magias do meu amigo meio-golem na semana passada. Hoje teremos mais um capítulo da história escrita por Maglor. Boa leitura.

A
ldarion mudou o curso do Reino de Sirion, sendo um general brilhante e ganhando várias batalhas decisivas. Um devotado paladino a serviço de Bahamut, ele descobriu o seu chamado cedo na vida, aos 13 anos, quando teve uma visão do Grande Dragão de Platina. 

Nessa visão, Aldarion estava de pé em uma colina coberta de relva, observando o sol poente, quando percebeu uma enorme sobra no chão. Ao olhar para cima, viu um grande dragão prateado, com seus olhos azuis profundos fixos no jovem, sobrevoando o local onde estava. Aldarion ficou imobilizado, mas não de medo. O dragão pousou na sua frente, uma montanha de ossos e músculos cobertos com escamas prateadas na frente de um ser minúsculo, insignificante, um rapaz de 13 anos. Um vento frio soprava, balançando as flores do campo. Ambos ficaram se encarando por um longo tempo, sem piscar, até que Bahamut, com suas longas e afiadas garras, abriu um buraco na lateral da colina.

Aldarion olhou para o buraco e viu dois objetos: uma espada e um bloco de gelo. A espada era muito bem feita, mas simples, sem jóias incrustadas, ornamentos ou runas. Ela possuía vários arranhões na lâmina, como uma espada usada em muitas batalhas. E, em cada arranhão, Aldarion conseguia enxergar os monstros que tombaram perante aquela arma, conseguia sentir as várias vitórias conquistadas pelo seu dono. Ele conseguia enxergar a história daquela espada, tão claramente como se estivesse escrita em um livro.

Mas o menino não conseguia enxergar direito o que havia dentro do bloco de gelo, que o fascinava. Olhando atentamente, parecia ser um coração. Como se respondendo ao desejo de Aldarion a lâmina da espada irrompeu em chamas. O jovem, então, pegou a espada, que um dia seria sua, de dentro do buraco e a aproximou do bloco de gelo, que começou a derreter. Mas aquele gelo parecia não ter fim, e Aldarion concentrou todo seu esforço para derretê-lo. Por fim, exausto pelo esforço, todo o gelo havia se transformado em água e, diante daquele rapaz, havia um coração humano.

Em seu cansaço e diante daquela visão bela e terrível, Aldarion baixou sua guarda e o fogo extinguiu-se da espada. Naquele momento, o coração começou a pulsar, e, ao invés sangue, ele espirrou um veneno preto em direção à Aldarion. O veneno atingiu o paladino no rosto, cegando-o e também atingiu a espada. Aldarion tentou gritar, mas não conseguia. O veneno começou a corroer a espada, apagando todas aquelas belas marcas, todas aquelas vitórias. Ele lavava toda a honra e glória conferida por aquela lâmina, tudo perdido por causa de um coração...

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– Senhor Aldarion! Cavaleiros adiante! O que devemos fazer?

– O quê? – Aldarion diz, saindo de um devaneio. – Cavaleiros? Devem ser os clérigos que Cassandra está esperando. Vamos aguardá-los aqui.

– O que foi, querido – indaga Cassandra – você parece distraído.

– Nada, eu só estava lembrando de um sonho que tive, muitos anos atrás...