quinta-feira, 7 de julho de 2011

πδ (pi-delta) explica: ciência e interpretação – parte III (final)

Caros leitores, mais uma quinta-feira quimérica desponta no horizonte. Hoje meu caro amigo meio-golem πδ (pi-delta) encerra sua “trilogia” de posts envolvendo ciência e interpretação. Apesar da popularidade destes posts (suponho haver apenas três leitores assíduos: o criador de πδ (pi-delta), sua mãe e eu) é hora de passar para o próximo assunto. Daqui a três semanas πδ (pi-delta) iniciará o ciclo de táticas mágicas em D&D 3.5. Boa leitura.

Estrelas cadentes

Estrelas cadentes são meteoróides que, ao passarem pela atmosfera terrestre, incandescem devido ao calor gerado pelo atrito com o ar. Na antiguidade e idade média elas eram associadas tanto a presságios de boa sorte como de azar. Mas foi apenas no começo do século 19 que elas foram associadas com os meteoritos, as “rochas que caem do céu”. Antes disso eram consideradas fenômenos atmosféricos, como relâmpagos.

Mas conhecer os detalhes científicos das estrelas cadentes não lhes rouba do romantismo ou misticismo associado a elas. Cerca de dois anos atrás eu andavam pela rua no final da tarde com minha esposa quando ela apontou para algo no céu. Era uma estrela cadente, muito brilhante, denominada de “bola de fogo” por astrônomos, visível mesmo durante o dia. Era uma visão linda. Fiquei fascinado, olhando para o céu por um tempo, parado na rua.

Assim, personagens ou NPCs podem observar estrelas cadentes antes de uma batalha e, se considerarem um bom presságio, uma mensagem dos deuses, poderiam receber bônus de moral na batalha. Ou uma estrela cadente no nascimento de um bebê poderia sinalizar um mal auguro para a criança, que ela estaria destinada a se tornar um grande vilão.

Astrologia

Quem, dentre os mestres de RPG medieval, ainda não empregou um cartomante, vidente, cigano, astrólogo, macumbeira, etc, etc, para dar aquele ar de mistério na história, ou para introduzir alguma profecia que iria influenciar os personagens e determinar o destino do MUNDO?!

Bem, sempre tive uma atitude muito cética com relação às ocupações mencionadas acima, mas me concentrarei na astrologia para exemplificar. Eu chegava a ridicularizá-la, pela ausência de critério científico, pelas “previsões” excessivamente vagas e pelos simples absurdo da suposição que a posição de astros a bilhões a quilômetros de nós tem alguma influência em nosso comportamento, entre outros aspectos.

Bem, eu tinha essa visão limitada e infantil até que li uma passagem do livro “Praticamente Inofensiva” pertencente à série “O Mochileiro das Galáxias” de autoria do grande Douglas Adams, que abriu meus olhos e ensinou-me a ter humildade diante do que não entendo. Reproduzo-a abaixo para tirarem suas próprias conclusões. Nele, duas pessoas estão conversando, Tricia, uma repórter cética e Gail, uma astróloga. [pg. 20-21].

- Eu sei que astrologia não é uma ciência – disse Gail. – Claro que não é. Não passa de um conjunto de regras arbitrárias como xadrez ou tênis, ou... qual é mesmo o nome daquela coisa esquisita de que vocês ingleses brincam?
- Humm... críquete? Autodepreciação?
- Democracia parlamentar. As regras meio que surgiram do nada. Não fazem o menor sentido, a não ser quando pensadas no próprio contexto. Mas, quando a gente começa a colocar essas regras em prática, vários processos acabam acontecendo e você começa a descobrir mil coisas sobre as pessoas. Na astrologia, as regras são sobre os astros e planetas, mas poderiam ser sobre patos e gansos que daria no mesmo. É apenas uma maneira de pensar sobre um problema que permite que o sentido desse problema comece a emergir. Quanto mais regras, quanto menores, mais arbitrárias, melhor fica. É como assoprar um punhado de poeira de grafite em um pedaço de papel para visualizar os entalhes escondidos. Permite que você veja as palavras que haviam sido escritas sobre o papel que estava por cima e que foi removido. O grafite não é importante. É apenas uma maneira de revelar os entalhes. Então, veja, a astrologia de fato nada tem a ver com a astronomia. Tem a ver com pessoas pensando sobre pessoas.

Obrigado pela audiência e fica a sugestão da série "Guia do Mochileiro das Galáxias".

4 comentários:

  1. Muito bom o post! Realmente também recomendo que leiam O guia do mochileiro das galáxias.

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  2. Muito bacana a postagem e a passagem do livro. Obrigada por dividir isso conosco, Pi-delta.

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  3. vale para muitas coisas na vida, tentar entender é mais dificil do que menosprezar e criticar.
    Muito bom!

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  4. Sábias palavras, Roudwolf. Sábias palavras...

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