quinta-feira, 14 de julho de 2011

Histórias de Beleriand: Pistas

Quinta-feira, mais um dia de Histórias de Beleriand. Espero que gostem. Leiam com moderação.

Erick e Mastor espreitam nos arbustos, tentando ficar contra o sentido do vento, e fazem uma contagem do número de goblins combatentes no acampamento.
– Estou vendo 15 goblins – sussurra Mastor.
– Além daquele worg ali – Erick completa. – Mas há algo errado, esses goblins nunca conseguiriam capturar sozinhos aquele lobo demoníaco.
– É... e olhe aquela cabana ali, é muito maior do que o necessário para esses goblins. Será que estão sendo liderados por um orc ou ogro?
– Não, os aldeões só viram goblins. Mas...
Erick pára de falar por um momento quando alguns goblins passam perto de seu esconderijo.
– Mas, eu acho que tenho uma idéia do que seja. Eu tentei aprender um pouco de magia com um mestre um tempo atrás, pra tentar ficar invisível sabe, e facilitar o “trabalho”. Aprendi alguns truques, mas nunca tive muita aptidão para a coisa. Então abandonei as aulas e meu professor devolveu, sem saber, o ouro que eu havia pago.
– E você acha que há algum mago lá dentro? Acho difícil imaginar um mago no meio dessas criaturas nojentas.
– Shhh... fale baixo. Não um mago qualquer. Olhe o tamanho da tenda. Minha aposta é que seja um ogro mago. Vamos voltar e falar para os outros.
Silenciosamente, Mastor e Erick voltam para onde seus companheiros os aguardavam.

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            Glúk-Glúk estava com fome. Glúk-Glúk estavam sempre com fome. Ele amaldiçoava o chefe novo, mas só para si mesmo. “Maldito chefe” ele pensava. “Sempre fazendo eu trabaiá, sempre fazendo todo mundo trabaiá. Pra quê fica vigiando? Nunca os fazendeiro vem aqui, nóis é forte demais”.
            E, no final das contas, Glúk-Glúk tinha razão: não havia motivo para ficar vigiando. Não quando o Joselito estava envolvido.

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            Um grito sanguinário ecoou entre as árvores:
            – AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH!
            Mas, para o azar de Glúk-Glúk, o grito não foi a única coisa vindo em sua direção. No seu frenesi de batalha, Joselito, vendo Glúk-Glúk sentado em uma pedra na beira da clareira havia arremessado seu machado com toda sua força. A mira foi ruim, e se Glúk-Glúk estivesse mais alerta poderia ter desviado, mas ele estava com fome e estava ocupado reclamando do chefe. Pelo menos a morte é rápida quando um machado grande parte sua cabeça.
            Percebendo o ataque óbvio, a tribo começou a se organizar, mas da orla clareira Zingara recita algumas palavras obscuras (“Ixen agni wiap thrae”) e uma bola de fogo parte de suas mãos e explode no meio do acampamento, queimando muitos goblins e ateando fogo às tendas.
            Erick e Mastor partem para o meio do combate, derrubando com facilidade quase todos os goblins, enquanto Reidan habilmente derruba o worg com dois golpes. Rudolph e Rhenuliu ficam para trás, observando a grande tenda e Joselito arranca o machado das costas de Glúk-Glúk.

            A entrada da grande tenda, já em chamas, esvoaça quando o chefe sai e, como Erick previra, realmente era um ogro mago, uma criatura com 3 metros de altura, pele avermelhada, grandes garras e dentes afiados, coberto em músculos. Um par de chifres sai de sua cabeça e seus olhos são negros como a noite, com pupilas brancas.
            Mas somente Rhenuliu estava enxergando a criatura. Eles estavam preparados, mas apenas o elfo tinha o encantamento que permitia ver criaturas invisíveis. Quando ele viu o ogro mago saindo da tenda, soube que algo estava errado. Ele tentou lançar uma magia, mas o monstro foi mais rápido. Korver, o chefe da tribo, começou a voar, estendeu as mãos e lançou uma rajada de frio intenso onde causaria mais estragos, em direção à Reidan, Erick e Mastor. Pegos de surpresa, o frio os atingiu em cheio. Os estilhaços de gelo penetraram nos seus corpos e o frio entorpeceu suas articulações.
            Rhenuliu, agora recomposto do susto inicial, lança um feitiço para anular a invisibilidade do monstro (“Arcaniss binol malrak”), mas a proteção mágica de Korver é mais forte que sua magia.
            – Não consigo dissipar a magia! Mas temos um problema maior, ele é um ogro mago abissal!
            Zingara estava se preparando para lançar mais uma de suas bolas de fogo quando ouviu Rhenuliu gritando. O plano deles fora bastante comprometido: os ogros magos eram vulneráveis a fogo, como Rhenuliu havia explicado, mas se esse era um ogro mago abissal, ele tinha certa resistência ao fogo. Mas não havia muito que fazer agora. Ela olhou para onde Rhenuliu estava apontando, rezou, mirou e lançou sua magia. A bola de fogo explodiu no ar.
            – Acertei? – perguntou Zingara.
            – Ele desviou – respondeu Rhenuliu.
            Joselito começou a gritar – Aparece, covarde! – Mas Korver, percebendo que Rhenuliu o enxergava, desembainhou sua espada larga e voou em direção ao elfo.
– Por Corellon! Ele está vindo! – gritou o elfo deseperado.
Quando o ogro mago estava quase chegando nele para desferir um golpe que o derrubaria, repentinamente um grande primata com quatro braços, um girallon demoníco, surgiu entre Rhenuliu e Korver, protegendo o mago do golpe.
– De nada! – disse Rudolph.

Korver acertou o girallon, mas este resistiu e, com seu faro, conseguiu localizar o monstro. O girallon agarrou o ogro-mago com seus quatro braços.
– Segura! – Rudolph gritou para o girallon.
Reidan já se recuperara do frio lançado pelo chefe da tribo e, percebendo que o girallon agarrara o ogro mago, correu para ajudar. Tentando não acertar o girallon, Reidan deu uma estocada e sentiu que sua espada acertou algo, vendo sangue negro manchar sua lâmina.
            – AGORA VOCÊ É MEU – bradou Joselito, saindo em disparada para onde estava o girallon.
            – Saiam da frente, rápido! – avisou Zingara.
            Reidan agarrou Rhenuliu e saiu da frente. Rudolph pulou para o lado enquanto gritava para o girallon: – Fica!
            Joselito, em sua fúria cega, girou seu machado acima de sua cabeça e o baixou com toda sua força e desta vez sua mira foi certeira. O machado partiu tanto o ogro mago quanto o girallon pela metade, fazendo o primeiro aparecer e o segundo desaparecer.
            – Ufa! – suspirou Rhenuliu, – quase.

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            Após o grupo descansar e os feridos tomarem suas poções de cura, Erick e Mastor revistam o acampamento dos goblins e o corpo de Korver.
            – Pessoal, dêem uma olhada nisso.
O grupo examina o amuleto que foi encontrado em Korver.
– Símbolo de Baal, amiguinho do Diablo – Rudolph comenta. – Acho que ainda veremos muitos diabos pela frente.

2 comentários:

  1. Hahahaha, lembro-me do saudoso "Joselito"... mal posso esperar para ler aqui como ele encerrou sua carreira...

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  2. Muito bom!!! E a história do Joselito, quero só ver...

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