quinta-feira, 21 de julho de 2011

Histórias de Beleriand: “Heróis”

Olá leitores esporádicos destes contos quinta-feiranos que narram as aventuras de um renomado grupo de heróis. Maglor nos mostra que não importa quão honrado, justo ou bondoso um herói seja, ele sempre tem alguma nódoa em seu passado. Até heróis são humanos...

Histórias de Beleriand: “Heróis”

H
ouve festa e grande contentamento naquela noite. O vilarejo de Arkhûn tinha muitos motivos para celebrar e, apesar do banquete humilde, não pouparam esforços para honrar e agradecer os aventureiros. A tribo de goblins liderada pelo ogro mago havia aterrorizado aquelas pessoas por três anos e dezenas de vidas foram perdidas durante aquele tempo. Mas aqueles dias de sofrimento e angústia eram águas passadas. O líder local, um homem atarracado, de barba longa e grisalha, chamado Phineas, até prometeu erguer um pequeno monumento homenageando os heróis.

O grupo decidiu permanecer em Arkhûn durante o dia seguinte, pois já estavam viajando há uma semana, só parando durante a noite para dormir. Então, durante o dia seguinte os aventureiros fizeram o que aventureiros fazem em cidades e vilarejos (quando não estão nas casas de prazer): vendem seus espólios e estocam suprimentos. A pequena loja do vilarejo, o Armazém de Arkhûn, não tinha nada de especial, só o básico: aquele troço seco supostamente comestível que chamam de ração de viagem, carne seca, corda, tochas, flechas, etc.

Assim, os aventureiros passaram o restante do tempo na taverna (pois não havia nenhuma casa, casebre ou mesmo barraco de prazer em Arkhûn) bebendo, conversando e relaxando. Isto, é claro, até o sol se por, pois, quando haviam passado pelo Armazém de Arkhûn, a ganância se apoderara do coração de Mastor quando este percebeu que tudo o que receberia em troca de sua ajuda seria comida e estadia. Nenhuma peça de ouro foi oferecida, com a desculpa da falta de recursos do vilarejo. Mas Mastor se certificaria de que esses caipiras não estivessem escondendo nenhuma moedinha embaixo do travesseiro. Para tanto, ele pediu ajuda ao Joselito, que apesar do intelecto reduzido, era o único de opinião similar à sua. Os outros mais pareciam paladinos retardados do que aventureiros, sempre tentando fazer o bem, recusando tesouros, salvando inocentes blá, blá, blá.

Então, enquanto Erick, Zingara, Reidan, Rudolph e Rhenuliu estavam se divertindo na taverna lotada, Mastor e Joselito saíram discretamente e se dirigiram ao Armazém de Arkhûn.

– Acho que deve ter algum ouro aqui – comenta Mastor. – É a única loja da cidade.

– É...vamos quebrar a porta – Joselito diz, impaciente para bater em algo.

– Não! Essa tranca é simples, deixe que eu abro... pronto. Vamos lá.

Os dois entram no Armazém e começam a revirar tudo. Mas, como já foi demonstrado várias vezes no passado, sutileza e Joselito não combinam. Inevitavelmente, o bárbaro derrubou um vaso de cerâmica do alto de uma estante o que fez um estrondo. Isso atraiu a atenção de um dos batedores da vila, que ficam de guarda à noite. O batedor logo dá o alarme de que há algo no Armazém e outros batedores rapidamente chegam para averiguar.

– Corra Joselito. Não podemos ser pegos. Vamos, ali, pela janela.

Outro erro de Mastor. Joselito, mais rápido que Mastor, corre em direção à janela e (ao invés de abri-la, como qualquer pessoa normal faria) pula através do vidro, atraindo atenção para a rota de fuga dos dois. Eles correrem pelas sombras em direção à taverna, onde seus companheiros estão, mas são avistados antes de entrarem. Então, logo após entrarem na taverna, tentando agir naturalmente, vários batedores entram e gritam:

– Ei! Vocês dois! Parem! O que estavam fazendo no armazém!

– Nós? O Joselito e eu estávamos apenas tomando ar fresco, nem fomos perto do armazém – Mastor fala indignadamente.

– Joselito... o que você e o Mastor fizeram? –Zingara pergunta desconfiada.

– Errr...nada. Eu...ummm...nada. Ar fresco, é.

– Nada disso, nós ouvimos vocês pulando pela janela e os avistamos vindo para cá. Venham conosco, vamos ter que esclarecer tudo isso com o prefeito Phineas – diz um dos batedores. Ele coloca a mão no ombro do Joselito (este foi seu primeiro erro) para guiá-lo para fora, mas o bárbaro se irrita e empurra o batedor para longe. O batedor então saca uma espada curta bem simples (este foi seu segundo erro) e seus companheiros imitam o gesto.

– Aaaaarrrrrgggghhhhh! – Joselito solta um grito selvagem e agarra a primeira coisa que vê na frente (ou seja, um velho que estava sentado tomando um pouco de cerveja, aproveitando – até aquele momento – toda a emoção) e o levanta acima da cabeça.

– Joselito, não! – grita o grupo em uníssono, mas era tarde demais.

O bárbaro segura o velho pelos pés e com seus poderosos braços o gira pelo ar uma..., duas..., três vezes, ganhando velocidade a cada giro. E a cada giro o rosto do velho fica mais e mais vermelho.

O batedor que primeiro sacou a espada dá um passo à frente tentando dar um fim àquela desordem (seu terceiro e último erro) e Joselito, usando o velho como uma clava, acerta o batedor com toda sua força.

CRACK! É o som que da coluna do velho se partindo logo antes dele morrer.

BAM! É o som que o corpo inerte do batedor faz quando atinge a parede da taverna.

Todos param na taverna. Um silêncio mortal e vergonhoso toma conta do ambiente. Agora não há mais nada a fazer. Na confusão, Mastor desaparece. Os aventureiros saem de cabeça baixa pela porta. Ninguém acredita no que acabou de acontecer. No que os heróis que salvaram o vilarejo fizeram. Grandes “heróis”...

5 comentários:

  1. Lembro-me deste episódio nefasto... e reconheço que fostes generoso ao modificar um pouco a história (que já está embaraçosa o bastante como foi descrita aqui...)

    Maldito Joselito e maldito Mastor. Que ambos ardam em Niflheim por isso!

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  2. Hahaha. Confundiste-me com um homem melhor, Odin. Se a história foi modificada, isto foi devido à falha de memória, e não bondade minha.

    Mas eles receberão seu castigo em devido tempo...

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  3. AAaaah, terrível evento, terrível tarde aquela. Que vergonha e que tristeza se apoderou de Zingara. Indignação! Indignação foi o que senti!

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  4. A reputação de um grupo inteiro destruída graças a dois idiotas! Esse é o preço que pago por andar em grupo, humpf!

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  5. Olá!! Isso me trás lembranças de quando jogava RPG. Meu grupo sempre caía em desgraça...
    Bons tempos aqueles! rsrsrsrsrs

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