quinta-feira, 30 de junho de 2011

Histórias de Beleriand: Cardolan

Bom dia, almas esclarecidas. Última quinta-feira do mês. Então vamos fechar com mais uma história da saga dos nossos heróis. Boa leitura.

[Lonkir. Noite. Lado externo da Taverna/Hospedaria Última Parada].

            Os aventureiros se aglomeram ao redor do guerreiro caído. Sua armadura prateada ornada em ouro está chamuscada em vários pontos e bastante amassada em outros. Só restaram farrapos de sua capa outrora verde e prateada. Seu escudo traz o emblema de uma coruja de três cabeças, dez garras e apenas um olho sobrevoando um campo verde, símbolo de uma das casas de Dor-Lómin.
Zingara rapidamente pega uma poção de cura mágica (como eram abundantes naqueles tempos) e a derrama sobre os ferimentos do guerreiro, que lentamente param de sangrar, mas não se fecham totalmente.
            Cardolan abre os olhos e a dor de seus ferimentos o faz gemer.
            – Você está bem – pergunta Zingara.
            – Acho que sim. Pelo menos agora – Cardolan responde.
            – Bem, pelo símbolo da Arkavena em seu escudo, eu sei que você é do Norte, de Dor-Lómin, mas quem é você e quem eram eles? – pergunta Rudolph, o Magnífico, olhando para os corpos das estranhas figuras encapuzadas que atacaram o guerreiro.
            Os cinco perseguidores do guerreiro estão vestindo mantos negros e carregavam maças-estrela, com cabos incrustados de sangue. Junto deles havia quatro diabretes mortos, pequenas criaturas aladas, originadas das profundezas dos Nove Infernos, com garras afiadas e corpos esverdeados. Durante o combate Erick observara que cada um dos homens tinha um diabrete no ombro. Um escapara vivo.
Erick se aproxima de um deles, o que parecia o líder, começa a revistá-lo.
            – Meu nome é Cardolan. Sou um cavaleiro a serviço dos Reinos de Dor-Lómin. E eles são clérigos da Irmandade dos Horrores. E respondendo à sua próxima pergunta, eles estavam atrás de mim porque roubei algo de seu templo, algo valioso para eles, mas muito perigoso para o mundo. Desde então eles me caçam. Por 20 anos consegui escapar de seus espiões, mas finalmente me encontraram. Só não sei como!
            – Ei Rudolph! Rudolph! RUDOLPH! – Erick chama, mas Rudolph simplesmente o ignora.
            Erick suspira irritado e rola os olhos – Rudolph, o Magnífico, você poderia dar uma olhada nisto, se não estiver muito ocupado sendo magnífico aí!?
            – Claro, Erick, não precisa ficar nervoso, era só me chamar. – Rudolph caminha até Erick e este lhe mostra um símbolo que encontrou no clérigo. Era um medalhão de prata triangular, bastante escurecido. No entanto era possível distinguir o que parecia ser uma torre subindo do meio da base do medalhão até o vértice. Na frente da torre estavam três figuras indistintas, unidas em um círculo. Do lado direito da torre havia uma casa e do lado esquerdo uma árvore.
            – Hmmm, este é o símbolo da Irmandade dos Horrores – Rudolph diz após observar o medalhão.
            – Certo, Capitão Óbvio, e que mais? – Erick responde irritado.
            Rudolph vira-se para inventar alguma coisa bem convincente para dizer a Erick quando Cardolan se levanta, com a ajuda de Reidan, e olha para todos.
            – Acho que não nos encontramos aqui por acaso. Chamem de destino, força superior ou o que quiserem. Por isso vou revelar algumas partes do que sei a vocês. Realmente, este é o símbolo da Irmandade dos Horrores. Esta Irmandade cultua três diabos poderosos: Mephisto, Baal e El Diablo. Seus mestres foram aprisionados muito tempo atrás em 3 Pedras Espirituais. E foi uma delas, a pedra Denokar, que eu roubei do Templo das Noites Sem Descanso, a que contém El Diablo, para impedir que fosse libertado.
            – Hahahaha, El Diablo. Que nome tosco. Pode deixar que eu esmago esse vermezinho – brada Joselito.
            Cardolan olha para ele com seriedade. – Rezo para que você nunca o encontre, meu amigo. E é por isso que devo partir agora. Agradeço o auxílio que me prestaram. Acho que todas as pessoas do mundo deveriam agradecer. Adeus viajantes, que vocês sempre tenham sabedoria para escolher sua estrada!
            – Espere, você ainda está ferido – Zingara diz, tentando segura-lo.
            – Não se preocupe comigo, esta armadura faz mais do que proteger meu corpo contra armas. Ela também tem o poder de curar ferimentos, embora lentamente. – Cardolan permanece pensativo por um momento, como se tomando uma decisão importante. Por fim ele diz:
            – Quero que fiquem com isto – ele estende um pergaminho – caso algo ocorra comigo. Ele está escrito em uma antiga língua dos diabos. Se realmente precisarem, procurem um sábio que os auxilie em sua tradução. Mas com a bênção dos deuses da Luz, isso não será necessário. Adeus.
            Cardolan vira-se e caminha em direção à floresta Taur-im-Duinath até desaparecer de vista.

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[Local desconhecido. Sala iluminada por centenas de velas].

Nove pessoas reúnem-se ao redor de uma mesa redonda.
Um homem calvo, trajando um manto azul estrelado, se levanta:
– Tudo está ocorrendo satisfatoriamente...
– Mas Calvin, ele foi salvo e entregou o pergaminho para eles. Assim os Três Diabos não terão chance! – interrompe um dos membros, uma mulher toda retorcida que faria qualquer espelho quebrar.
– Eu sei, minha cara Rhea, mas já previ isto e tenho uma solução que em breve observarão. Eles salvaram Cardolan só porque nós assim permitimos. Eles precisavam conhecer Cardolan. E foi muito bom ele entregar o pergaminho agora. Imagine se ele o entregasse à União ou aos Caçadores?! Seria impossível recuperá-lo Mas uma de minhas marionetes já alertou a Irmandade dos Horrores sobre o atual paradeiro de Cardolan. Garanti que os elfos não o deixarão passar do Cinturão de Melian. Ele logo estará morto.
– E o que a União está fazendo a respeito disso? – pergunta um ciclope, da altura de um humano.
– A União nada sabe. E ela nada saberá se continuarmos a usar este grupo. Nosso lobo em pele de cordeiro.

2 comentários:

  1. Excelente, nobre Aramil! Lembro-me de Cardolan e desta maldita irmandade... bons tempos...

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  2. Muito bom!!! Também me lembro deles. Estou com saudades dessa história!

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