quinta-feira, 30 de junho de 2011

Histórias de Beleriand: Cardolan

Bom dia, almas esclarecidas. Última quinta-feira do mês. Então vamos fechar com mais uma história da saga dos nossos heróis. Boa leitura.

[Lonkir. Noite. Lado externo da Taverna/Hospedaria Última Parada].

            Os aventureiros se aglomeram ao redor do guerreiro caído. Sua armadura prateada ornada em ouro está chamuscada em vários pontos e bastante amassada em outros. Só restaram farrapos de sua capa outrora verde e prateada. Seu escudo traz o emblema de uma coruja de três cabeças, dez garras e apenas um olho sobrevoando um campo verde, símbolo de uma das casas de Dor-Lómin.
Zingara rapidamente pega uma poção de cura mágica (como eram abundantes naqueles tempos) e a derrama sobre os ferimentos do guerreiro, que lentamente param de sangrar, mas não se fecham totalmente.
            Cardolan abre os olhos e a dor de seus ferimentos o faz gemer.
            – Você está bem – pergunta Zingara.
            – Acho que sim. Pelo menos agora – Cardolan responde.
            – Bem, pelo símbolo da Arkavena em seu escudo, eu sei que você é do Norte, de Dor-Lómin, mas quem é você e quem eram eles? – pergunta Rudolph, o Magnífico, olhando para os corpos das estranhas figuras encapuzadas que atacaram o guerreiro.
            Os cinco perseguidores do guerreiro estão vestindo mantos negros e carregavam maças-estrela, com cabos incrustados de sangue. Junto deles havia quatro diabretes mortos, pequenas criaturas aladas, originadas das profundezas dos Nove Infernos, com garras afiadas e corpos esverdeados. Durante o combate Erick observara que cada um dos homens tinha um diabrete no ombro. Um escapara vivo.
Erick se aproxima de um deles, o que parecia o líder, começa a revistá-lo.
            – Meu nome é Cardolan. Sou um cavaleiro a serviço dos Reinos de Dor-Lómin. E eles são clérigos da Irmandade dos Horrores. E respondendo à sua próxima pergunta, eles estavam atrás de mim porque roubei algo de seu templo, algo valioso para eles, mas muito perigoso para o mundo. Desde então eles me caçam. Por 20 anos consegui escapar de seus espiões, mas finalmente me encontraram. Só não sei como!
            – Ei Rudolph! Rudolph! RUDOLPH! – Erick chama, mas Rudolph simplesmente o ignora.
            Erick suspira irritado e rola os olhos – Rudolph, o Magnífico, você poderia dar uma olhada nisto, se não estiver muito ocupado sendo magnífico aí!?
            – Claro, Erick, não precisa ficar nervoso, era só me chamar. – Rudolph caminha até Erick e este lhe mostra um símbolo que encontrou no clérigo. Era um medalhão de prata triangular, bastante escurecido. No entanto era possível distinguir o que parecia ser uma torre subindo do meio da base do medalhão até o vértice. Na frente da torre estavam três figuras indistintas, unidas em um círculo. Do lado direito da torre havia uma casa e do lado esquerdo uma árvore.
            – Hmmm, este é o símbolo da Irmandade dos Horrores – Rudolph diz após observar o medalhão.
            – Certo, Capitão Óbvio, e que mais? – Erick responde irritado.
            Rudolph vira-se para inventar alguma coisa bem convincente para dizer a Erick quando Cardolan se levanta, com a ajuda de Reidan, e olha para todos.
            – Acho que não nos encontramos aqui por acaso. Chamem de destino, força superior ou o que quiserem. Por isso vou revelar algumas partes do que sei a vocês. Realmente, este é o símbolo da Irmandade dos Horrores. Esta Irmandade cultua três diabos poderosos: Mephisto, Baal e El Diablo. Seus mestres foram aprisionados muito tempo atrás em 3 Pedras Espirituais. E foi uma delas, a pedra Denokar, que eu roubei do Templo das Noites Sem Descanso, a que contém El Diablo, para impedir que fosse libertado.
            – Hahahaha, El Diablo. Que nome tosco. Pode deixar que eu esmago esse vermezinho – brada Joselito.
            Cardolan olha para ele com seriedade. – Rezo para que você nunca o encontre, meu amigo. E é por isso que devo partir agora. Agradeço o auxílio que me prestaram. Acho que todas as pessoas do mundo deveriam agradecer. Adeus viajantes, que vocês sempre tenham sabedoria para escolher sua estrada!
            – Espere, você ainda está ferido – Zingara diz, tentando segura-lo.
            – Não se preocupe comigo, esta armadura faz mais do que proteger meu corpo contra armas. Ela também tem o poder de curar ferimentos, embora lentamente. – Cardolan permanece pensativo por um momento, como se tomando uma decisão importante. Por fim ele diz:
            – Quero que fiquem com isto – ele estende um pergaminho – caso algo ocorra comigo. Ele está escrito em uma antiga língua dos diabos. Se realmente precisarem, procurem um sábio que os auxilie em sua tradução. Mas com a bênção dos deuses da Luz, isso não será necessário. Adeus.
            Cardolan vira-se e caminha em direção à floresta Taur-im-Duinath até desaparecer de vista.

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[Local desconhecido. Sala iluminada por centenas de velas].

Nove pessoas reúnem-se ao redor de uma mesa redonda.
Um homem calvo, trajando um manto azul estrelado, se levanta:
– Tudo está ocorrendo satisfatoriamente...
– Mas Calvin, ele foi salvo e entregou o pergaminho para eles. Assim os Três Diabos não terão chance! – interrompe um dos membros, uma mulher toda retorcida que faria qualquer espelho quebrar.
– Eu sei, minha cara Rhea, mas já previ isto e tenho uma solução que em breve observarão. Eles salvaram Cardolan só porque nós assim permitimos. Eles precisavam conhecer Cardolan. E foi muito bom ele entregar o pergaminho agora. Imagine se ele o entregasse à União ou aos Caçadores?! Seria impossível recuperá-lo Mas uma de minhas marionetes já alertou a Irmandade dos Horrores sobre o atual paradeiro de Cardolan. Garanti que os elfos não o deixarão passar do Cinturão de Melian. Ele logo estará morto.
– E o que a União está fazendo a respeito disso? – pergunta um ciclope, da altura de um humano.
– A União nada sabe. E ela nada saberá se continuarmos a usar este grupo. Nosso lobo em pele de cordeiro.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Karaokê na Taverna! - Te dou um queijo Jiban!




Frodo: - Saudações amigos! Para aqueles que se lembram de Jiban, vamos cantar juntos na Taverna de Elgalor:


Obrigado pela excelente sugestão, J. Neves!

sábado, 25 de junho de 2011

Karaokê na Taverna - Pegasus Fantasy (Pega só sua Fanta aí)

Frodo: - Saudações amigos... finalmente entendi o significado da letra da música Pegasus Fantasy, abertura dos Cavaleiros do Zodíaco. Confiram:


sexta-feira, 24 de junho de 2011

Histórias e Canções - Valfenda

Saudações, nobres visitantes e viajantes que visitam esta humilde taverna. Nesta sexta-feira, estou aqui para falar-lhes novamente sobre a Terra Média e seus encantos, desta vez trazendo-lhes um pouco da história e geografia do belo reino de Valfenda. Talvez fosse melhor dizer "refúgio", já que Valfenda, ou Imladris, é descrito por mestre Tolkien como um local de paz e beleza infinitas, onde os viajantes e seus moradores podem encontrar alívio e harmonia.

Valfenda localiza-se em um vale profundo em Eriador, perto das montanhas nebulosas, e exatamente por isso, é uma espécie de "cidade escondida" (não tanto quanto Gondolin, mas...), guardada por cumes e picos de montanha, a qual se tinha acesso através de escadarias em ziguezague que desciam até o fundo do vale. Por entre a bela cidade corre o rio Bruinen.

É o reduto de Elrond Peredhil, e durante a terceira era torna-se um dos únicos "reinos" élficos de toda a Terra Média, onde estão guardados milhares de história e conhecimento sobre elfos e homens. Além de Elrond lá também residem seus filhos, Elladan, Elrohir e Arwen, sua esposa Celebrían, que após ser sequestrada por orcs decidiu navegar até as Terras Imortais, e muitos outros elfos.

Elrond é um senhor nobre: é irmão de Elros, e filho de Earëndil e Elwing (o famoso casal que levou a Silmaril aos céus e suplicou pelos habitantes da Terra Média aos deuses de Valinor), respectivamente um homem mortal e uma elfa, sendo portanto um meio-elfo. Interessantemente, foi-lhe dada, assim como a seu irmão, a opção de escolha entre a vida élfica ou a mortal. Elrond optou por tornar-se elfo, Elros optou pela mortalidade dos homens (Aragorn descende remotamente de Elros).

Elrond fundou Valfenda (ou Rivendell, no original) no ano de 1697 da segunda era, após Sauron ter devastado Eregion, com o intuito de criar uma fortaleza que pudesse resistir às forças de Sauron. Foi em Rivendell que, no final da segunda era, reuniram-se os exércitos da Última Aliança, comandados por Elendil (grande rei dos humanos de Númenor) e Gil-Galad (filho de Fingon, e último alto rei dos Noldor), de onde partiram para Mordor, numa batalha que culminaria na derrota de Sauron, na morte de Gil-Galad, Elendil e seu filho Anárion.

Graças à ação do anel de Elrond, Vilya, Rivendell tinha características especiais, tais como um retardo na passagem do tempo e uma sensação de bem-estar e vigor renovado sentida por seus habitantes. Os efeitos do anel élfico ainda podiam ser maiores, envolvendo também a cura, como no caso da cura de Frodo ou nas palavras do próprio Bilbo: "Um pouco de sono traz uma grande cura na casa de Elrond, e cura o mais que puder.." (O Hobbit, A Última Etapa).

No ano de 2941 Gandalf, Bilbo e os 13 anões que o acompanhavam Thorin Escudo de Carvalho a Montanha Solitária chegaram a Rivendell. Não puderam permanecer muito tempo no reino élfico, mas puderam desfrutar de momentos de paz e tranqüilidade que já não existiam em outro lugar da Terra Média. E, apesar do pouco tempo, a visita foi suficiente para despertar em Bilbo um grande amor por Rivendell, aonde viria a morar muitos anos mais tarde.

Surgida de remanescentes de Eregion e Lindon (o reino de Gil-Galad), tornou-se um centro de tradição élfica na Terceira Era.

E para acompanhar vossa leitura, nada mais do que a bela canção feita por Howard Shore intitulada "Rivendell". Espero que apreciem, nobres amigos!

Rivendell - Howard Shore

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Histórias de Beleriand: Se o bardo apenas cantasse...

Quinta-feira Poética [sic]. Caros leitores, tentei traduzir acuradamente este poema dos livros de Maglor, mas não sou nenhum poeta. Boa sorte com a leitura.



O grupo buscava pelo paladino perdido;
A feiticeira, o ladino, o bardo, o guerreiro e o mago metido.
Colinas e campos dourados suas botas pisaram,
E vários leões no caminham mataram.

Reidan bradou, Erick flanqueou
Zingara gesticulou, Rudolph invocou (mas não cantou!)
Mastor gritou enquanto Rhenuliu recuou
Mas no final derrotaram os ladinos e o grupo se safou

A caminho do próximo povoado bendito
Encontraram um bárbaro pelo caminho, ignóbil Joselito
Forte como um touro, duro como granito
Mas com a inteligência de um mosquito.

Lonkir, pequena urbe na beira da floresta,
Enquanto o grupo descansa em taverna modesta
Cardolan, guerreiro ferido porta adentro desembesta:
“Estou sendo perseguido por uma irmandade funesta!”

Os bravos viajantes o ferido logo socorrem
Ignorando o perigo que correm
Sangue e suor pela noite escura escorrem
Mas no final todos os seus inimigos morrem.


sexta-feira, 17 de junho de 2011

"Homenagem"a Tanis de Dragonlance

Os fãs do bravo Tanis que me perdoem, mas isto é deveras engraçado...







Laurana's Gay Boyfriend


One, two, ready go

I'm tired of boys who make me cry
They cheat on me and they tell me lies
I want a love who'll never stray
When he sees other girls, he looks away
And if he never kisses me, well that's alright
'Cos we can just cuddle all night

Gay boyfriend, gay boyfriend
I don't really care that you are queer
Gay boyfriend, gay boyfriend
I never feel lonely when you are near

It'll be a great romance
We'll go shopping and buy tight pants
You don't care how big my ass is, just how fabulous my dress is

Gay boyfriend, gay boyfriend
I don't really care that you are queer
Gay boyfriend, gay boyfriend
I never feel lonely when you are near

One, two, ready go
You cry at movies, on our dates
Romantic comedies sure are great
But when you're sad I'll dry your tears
'Cos I'll always think that you are fierce

I like cigarettes, and that's no gag
But you'll always be my favorite fag
You'll always be my favorite fag
You'll always be my favorite fag

My gay boyfriend, gay boyfriend
I don't really care that you are queer
Gay boyfriend, gay boyfriend
I never feel lonely when you are near...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

πδ (pi-delta) explica: ciência e interpretação – parte II

Leitores, hoje temos mais uma parte da série “ciência e interpretação” do mecânico πδ (pi-delta), abordando dois temas: Abiogênese x Biogênese e Origem das Doenças.

1)      Abiogênese x Biogênese

Atualmente a Biogênese está bem estabelecida, que diz que todo ser vivo origina-se de um ser vivo precursor (sendo a exceção a origem da vida a partir da “sopa primordial”). Mas, como muitos devem se lembrar das aulas de biologia, houve uma época em que havia grande discussão entre os partidários da Abiogênese (geração de vida a partir de materiais inorgânicos) e da Biogênese.
Havia inclusive a infame “receita” para “gerar” ratos, proposta pelo grande médico e fisiologista vegetal J. B. Van Helmont, que era deixar em um canto uma camisa suja junta com sementes de trigo por 21 dias.
Meu propósito nesta seção é propor idéias para auxiliar na interpretação de personagens. Por exemplo, o clérigo de uma divindade poderia acreditar em uma receita semelhante, sendo que unindo certos materiais seu deus poderia infundir vida naqueles itens. Ou o povo de determinado local poderia evitar empilhar entulho e restos de comida com medo de criar cobras. Ou um mago poderia pesquisar uma receita para criar uma abominação.


2)      Origem das Doenças

Este tópico merecia ser explorado em profundidade, mas este não é o meu propósito, então será breve. Ao longo da história as doenças foram atribuídas às mais diversas causas, como:

  • Castigo divino
  • Desequilíbrio dos quatro humores (Teoria Humoral)
  • Geração espontânea das doenças
  • Teoria Miasmática (doenças causada por ar ruim ou poluído)

Logo personagens poderiam evitar locais com cheiro característico, evitando o “ar poluído”; médicos receitando o clássico uso de sanguessugas para retirar o excesso de sangue causando doenças; grupos fazendo peregrinações ou buscas para aplacar os deuses que lançaram a febre sobre um vilarejo. O céu é o limite.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Histórias e Canções - São Valentim e Cupido

Boa tarde, nobres visitantes e aventureiros do mundo de Elgalor! Nessa bela sexta-feira aqui me encontro novamente, para trazer-lhes histórias inspiradas no vindouro dia dos namorados em Midgard. São Valentim, o protetor dos enamorados, e o famoso Cupido, vindo da mitologia grega.

Antes que os viris guerreiros que por aqui passam torçam o nariz para estas singelas histórias românticas, digo-vos que elas podem ser uma excelente inpiração para vossas aventuras. Bem, sem mais delongas, comecemos então mais uma sessão de Histórias e Canções...

São Valentim (ou Valentinus em latim) é um santo reconhecido pela Igreja Católica e igrejas orientais que dá nome ao Dia dos Namorados em muitos países, onde é celebrado o Dia de São Valentim. O nome refere-se a pelo menos três santos martirizados na Roma antiga.

Durante o governo do imperador Cláudio II em Roma, este proibiu a realização de casamentos em seu reino, com o objectivo de formar um grande e poderoso exército. Cláudio acreditava que os jovens, se não tivessem família, alistariam-se com maior facilidade. Imaginem quantos jovens enamorados não encontraram-se em desespero ao saber que seu relacionamento poderia ser considerado algo ilegal!

No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do imperador. Seu nome era Valentim e as cerimónias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens jogavam flores e bilhetes dizendo que estes ainda acreditavam no amor. Entre as pessoas que jogaram mensagens ao bispo estava uma jovem cega, Astérias, filha do carcereiro, a qual conseguiu a permissão do pai para visitar Valentim.

Os dois acabaram apaixonando-se e, milagrosamente, diz-se que a jovem recuperou a visão. O bispo chegou a escrever uma carta de amor para a jovem com a seguinte assinatura: “de seu Valentim”, expressão ainda hoje utilizada pelos falantes da língua inglesa: "from your Valentine". Conta-se que infelizmente Valentim foi decapitado em 14 de Fevereiro de 270 - data em que muitos países comemoram o "dia dos namorados".

Já a história de Cupido é uma encantadora fábula de amor. Diz-se que Cupido, deus do amor, era filho de Vênus e Marte, e sempre andava com seu arco e flecha pronto a atirar nos incautos seres inocentes que logo iriam se apaixonar.

Um certo dia, Vênus estava admirando a terra quando avistou uma bela moça chamada Psique. Vênus era uma deusa muito vaidosa e não gostava de perder em matéria de aparência, muito menos para uma mortal. Vênus chamou Mercúrio e disse-lhe: "- Mande esta carta para Psiquê."

Quando Psiquê recebeu a carta ficou admirada, recebendo uma carta de uma deusa. Mas ficou muito decepcionada quando a leu. Na carta havia uma profecia clamada pela própria Vênus. A profecia dizia que Psiquê ia se casar com a mais horrenda criatura.

Enquanto isso, no Monte Olimpo, Vênus chamou seu filho Cupido: "- Meu caro filho, preciso de um grande favor seu. Quero que você vá a terra e atire uma de suas flechas de amor em Psique, e faça com que ela se apaixone pelo homem mais feio do planeta". Cupido gostava muito de sua mãe e não quis contrariá-la. Então foi. Quando anoiteceu, Cupido foi até a casa de Psique, entrou pela janela avistou um rosto perfeito, traços encantadores. Cupido chegou bem perto para não ter a chance de errar o alvo (apesar de ter uma mira muito boa, mas estava encantado com a bela jovem). Se preparou para atirar, esticou o seu arco e quando ia soltar a flecha, Psiquê moveu o braço, e Cupido acertou ele mesmo. A partir daquele instante Cupido ficou perdidamente apaixonado pela jovem. Voltou para casa, mas não conseguiu dormir pensando na bela Psiquê.

No dia seguinte, Cupido foi falar com Zéfiro (o vento oeste) e pediu para que transportasse Psique para os ares e a instalasse num palácio magnífico, onde era a casa de Cupido. Quando a noite caiu, a moça ouviu uma voz misteriosa e doce: "- Não se assuste, Psiquê, sou o dono desse palácio. Ofereço a ti como presente de nosso casamento, pois quero ser seu esposo. Tudo que está vendo lhe pertence. E tudo que deseja será concebido. Zéfiro estará às suas ordens, ele fará tudo o que você quiser. Eu só lhe faço uma exigência: não tente me ver. Só sob esta condição poderemos viver juntos e sermos felizes" pois pela lei do Olimpo, uma mortal não podia se casar com um deus.

Toda noite Cupido vinha ver Psiquê, mas em uma forma invisível. A moça estava vivendo muito feliz naquele lindo palácio. Mas passando os dias Psiquê ficava cada vez mais curiosa para saber quem era seu marido. Certa noite, quando Cupido veio ver Psiquê, eles se encontraram e se amaram. Mas quando Cupido adormeceu, Psiquê escondida e em silêncio pegou uma lamparina e acendeu-a, e quando ela viu o belo jovem de rosto corado e cabelos loiros, ficou encantada. Mas num pequeno descuido ela deixou cair uma gota de óleo no braço do rapaz, que acordou assustado e, ao ver Psiquê, desapareceu. O encanto todo acabou, o palácio os jardins e tudo que havia em volta desapareceu, como num passe de mágica. Psiquê ficou sozinha num lugar árido, pedregoso e deserto.

Desconsolado, Cupido voltou para o Olimpo e suplicou a Zeus que lhe devolvesse a esposa amada. O senhor dos deuses respondeu: "- O deus do amor não pode se unir a uma mortal".

Mas Cupido protestou. Será que Zeus que tinha tanto poder não podia tornar Psiquê imortal? O senhor dos deuses sorriu lisonjeado. Além do mais como poderia de deixar de atender a um pedido de Cupido, que lhe trazia lembranças tão boas? O deus do amor o tinha ajudado muitas vezes, e talvez algum dia Zeus precisaria da ajuda de Cupido de novo. Seria mais prudente atender o seu pedido. Zeus mandou Hermes ir buscar Psique e lhe trouxesse para o reino celeste.

Então Zeus, o soberano, transformou Psiquê em imortal. Nada mais se opôs aos amores de Cupido e Psiquê, nem mesmo Vênus, que ao ver seu filho tão feliz se moveu de compaixão e abençoou o casal. Seu casamento foi celebrado com muito néctar, na presença de todos os deuses.

As Musas (jovens encantadas, que eram acompanhantes do deus Apolo) e as Graças (jovens que representavam a beleza que acompanhavam a deusa Venus) aclamavam a nova deusa em meio a cantos de danças. Assim Cupido viveu sua imortalidade com o ser que mais amou.

Que esses contos os inspirem no dia dos namorados a apreciar o amor em sua mais bela forma, nobres aventureiros!

E para vós, uma bela canção que fala com perfeição desse sentimento do grupo Lesiem...



Fides - Lesiem

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Histórias de Beleriand: Estereótipos, estereótipos, estereótipos

Hmmm. Quinta-feira. Olá a todos. Deixem-me espantar as moscas deste local (não é Frodo e Odin, tesc, tesc) com mais uma das traduções dos pergaminhos de Maglor. Boa leitura.

N
o centro de recrutamento, magos começam a vasculhar o pátio em busca do intruso invisível. Palavras murmuradas escoam da boca dos conjuradores, fazendo seus olhos brilharem, permitindo visualização além dos sentidos humanos.

Em algum lugar do forte, o sargento Ber grita.

Rhenuliu precisa pensar rápido. As saídas estão bloqueadas. Todos parecem estar procurando-no. Ele percebe, no canto sudeste, que um grupo está parado, escutando um oficial fazer um pronunciamento, alheio à comoção geral. Rapidamente ele se dirige para lá e se infiltra entre os recrutas e aparece o mais discretamente possível.

Erick olha para o lado e vê que um elfo surgiu repentinamente ao seu lado. Ele percebe algumas pedras no bolso do inesperado elfo e deduz quem jogou a pedra que o ajudara a fugir do sargento Ber.

— Ei amigo, acho que é você que todos estão procurando.

— Hum... err...acho que não. Quer dizer, nem sei do que você está falando.

— Fique tranqüilo, não vou te denunciar. Você me poupou de um bocado de trabalho, querendo ou não, então farei o mesmo por você. Sou Erick.

Rhenuliu olha desconfiado para Erick, mas percebe que está falando a verdade.

— Chamo-me Rhenuliu. Obrigado.

Nesse momento, o oficial que estava discursando diz:

— Então, recrutas, essas missões são extremamente difíceis e somente para os mais experientes, mas são essências para o sucesso da guerra contra Morgoth. Os vitoriosos serão muito bem recompensados. O grupo que trouxer provas do que aconteceu com as cidades dos anões de Nogrod e Belegost, e quem foi o responsável, receberá 100.000 peças de ouro do reino, a serem divididas entre os sobreviventes. Já os que conseguirem resgatar o paladino Aldarion receberão 1.000.000 de peças de ouro e serão sagrados cavaleiros do reino, com direito a propriedades e um lugar à corte do rei Elessar.

— Um milhão de peças de ouro... um milhão. Ei, tenente, nós iremos encontrar o paladino, pode registrar aí, — grita Erick, dando um tapinha nas costas de Rhenuliu.

— O quê!? — Grita Rhenuliu. Mas já era tarde. Erick havia corrido para frente e estava escrevendo seu nome em um pergaminho.

— Como se escreve Rhenuliu? — ele grita por sobre o ombro.

Rhenuliu puxa Erick para um canto e fala por entre os dentes:

— Como assim nós?! Nem nos conhecemos. Não me inclua em seu grupo. Além disso, não podemos fazer nada só nós dois!

— É claro que nos conhecemos. Eu sou Erick e você é o Rhenuliu. Estou te fazendo um favor. Você quer ficar aqui até que te encontrem ou sair discretamente conosco. Além disso, não estamos sozinhos. Temos companheiros.

Erick vira para trás e aponta para um grupo que o seguiu:

— Pessoal, este é o Rhenuliu. Rhenuliu, esta é Zingara, este é Reidan, este é Rudolph...

— o Magnífico! Rudolph complementa.

— Sim, sim, este é Rudolph, o Magnífico, e este é Mastor Kyrk.

Rhenuliu olha para todos. Rhenuliu olha ao redor. Rhenuliu percebe que ainda está com sérios problemas.

Mas, Rhenuliu pensa, pelo menos são problemas que não envolvem sargentos que gritam.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Histórias de Beleriand: Um Pouco de História

Olá leitores. Quinta-feira. Dia de tinta no papel (na realidade, pixels na tela) para contar mais uma parte do livro de Maglor, que narra algumas das histórias de Beleriand.

R
henuliu era um elfo. Rhenuliu estava em Sirion. Rhenuliu estava com sérios problemas. Para entender porque, é necessário um pouco de História de Beleriand. O renomado historiador Van der Planck escreve o seguinte, em seu livro Anais de Sirion:

O ano era 129 F.S. O reino crescia esplendidamente. Toda a região dos Falas estava ocupada e prosperando, com a fronteira de Sirion atingindo as Ered Wethrin ao norte, Doriath a leste e o grande mar de Belegaer a oeste. Os grandes portos de Brithombar e Eglarest, sem contar a própria capital, Sirion, estavam fervilhando de atividade. Navios partiam a cada virada da ampulheta, em direção a diferentes rotas de comércio, tanto para os pequenos reinos independentes do Norte quanto para as grandes nações e oligarquias do Sul.
Mas os altivos elfos de Doriath não compartilhavam da visão expansionista do rei humano, Hiron Argentum. Sirion precisava desesperadamente de madeira para construir suas naus, especificamente madeira élfica, e os elfos recusavam-se a derrubar suas árvores.
Por uma virada do destino, Sirion havia entrado em uma guerra contra o povo bárbaro que habitava as Falas alguns anos antes, e havia se saído vitorioso, e bem armado. Assim, o rei Hiron já dispunha de um grande exército treinado e ele decidiu lançá-lo subitamente contra o reino de Doriath, dando início à Guerra das Árvores.
Embora o povo élfico fosse habilidoso com armas, ele não estava preparado para uma guerra, especialmente vinda dos humanos, um dos povos da Luz. Portanto, em apenas 3 anos, toda a floresta de Doriath havia sido tomada, embora não com poucas perdas. O rei élfico, Thingol, e a rainha Melian negociaram um acordo com Hiron, que também estava ansioso por acabar com a guerra, pois seu exército, e sua coroa, estavam enfraquecidos. Assim, foi permitindo que os elfos se realocasse para uma floresta mais ao Sul, Taur-im-Duinath.
No entanto, antes de partir, a rainha Melian rogou uma maldição contra Hiron Argentum, dizendo: “Por madeira mataste, por madeira morrerás. Cairás como um grande olmo de raízes podres e suas embarcações virarão contra seus tripulantes...”.
Assim os elfos vieram a ocupar Taur-im-Duinath, mas Melian e Thingol juraram nunca mais virar as costas aos humanos. Então Melian lançou seu críptico Cinturão, que somente permitia a entrada de elfos em seu novo lar.
O rei Hiron realmente veio a falecer, um ano depois, em 134 F.S., durante um torneio de justa, quando uma lasca de madeira da lança do oponente atravessou sua viseira e perfurou-lhe o olho.
         Desde então tem havido animosidade entre humanos e elfos em Beleriand.
         Quanto às embarcações construídas naquela época, muitas naufragaram em alto mar sem motivo aparente...

Rhenuliu era um elfo. Rhenuliu estava em Sirion. Rhenuliu estava invisível, mas os magos estavam chegando.

Rhenuliu estava com sérios problemas.