quinta-feira, 19 de maio de 2011

Histórias de Beleriand: O Sargento, os Recrutas e uma Reunião

Ah, quinta-feira. "Senta que lá vem história". (Eu nunca disse que seria uma história boa).



E

U DISSE EM FORMAÇÃO! Seus vermes retardados.

O sargento Ber continuava bradando com os recrutas, tentando alinhá-los para poder designá-los para suas respectivas unidades de treinamento. 

Ele odiava o recrutamento compulsório, pois só trazia a escória para o exército: pessoas fracas demais, idiotas demais ou, o mais comum, fracas e idiotas demais para lutarem. Para Ber, o máximo que seriam era bucha de canhão. Mas, tinha ordens de separá-las de acordo com suas “habilidades alternativas” (como ele se esforçara para segurar o riso quando seu chefe lhe informara aquilo).

Só pensar no assunto já fervia seu sangue. E, para piorar, foi nesse momento que percebeu um recruta parado, lendo o pergaminho de recrutamento. Parado. Lendo. Parado E lendo. Era tudo o que precisava:

— VOCÊ! Aí! Lendo esse pergaminho!

Ber pronunciou a palavra “lendo” como se fosse uma doença contagiosa que escorresse de sua boca.

Erick gelou. Virou para o lado de onde viera o grito. Viu o sargento Ber fuzilando-o com os olhos.

— Você mesmo, gênio. Você é surdo? Quando eu disse: “Em formação!” isso parecia uma sugestão pra você? Quando sua mãe te pariu você bateu a cabeça no chão e ficou assim, idiota?

Erick nem teve tempo de responder. Ber já estava novamente gritando, só que dessa vez estava tão próximo que gotículas de cuspe voavam como minúsculas balas de canhão em direção ao rosto do pobre rapaz.

— NO CHÃO! AGORA, RECRUTA! AGORA!!

Erick hesitou por um momento, principalmente devido ao choque, mas um pouco para irritar o sargento. Mas o sargento Ber interpretou aquilo como um desafio total à sua autoridade. Ele sacou sua espada de madeira com a velocidade de anos de treinamento


[após alguns (dezessete) incidentes desagradáveis ocorridos alguns anos atrás e levando-se em conta o elevado custo de magias de regeneração, os superiores do sargento Ber decidiram trocar sua espada de metal por uma feita de madeira, como medida preventiva].

e mirou no joelho de Erick.

Meio por instinto, meio por reflexo, Erick desvia da espada o suficiente para não ser derrubado no chão, mas o golpe ainda o acerta, causando não pouca dor. Isso, na realidade, só enfurece o sargento.

Ber está a um segundo de testar os limites de resistência de sua espada de madeira contra ossos humanos quando soam os sinos de alarme. Anos de treinamento e décadas como sargento recrutador transformaram Ber em uma máquina de obediência. Assim que ouviu as três badaladas curtas – significando inimigo oculto ou invisível – parou o que estava fazendo e mudou o foco de sua concentração: caçar o maldito recruta que estava tentando fugir!

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Guardas corriam de um lado para o outro quando uma meio-elfa aproxima-se de Erick.

— Você está bem? Parecia que aquele sargento ia te matar.

— Estou, sim — mente Erick.

— Bem, que bom. Eu vi que você tem bons instintos. Ali no canto sudeste eles estão recrutando para missões especiais, onde não temos que ficar perto desses­ — ela olha para os lados — sargentos cretinos. Vou para lá, se quiser me acompanhar.

— Sim, não agüento mais um minuto de gritaria. Eu sou Erick, a propósito.

— Olá Erick. Sou Zingara.
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Em algum lugar, nove pessoas reúnem-se novamente. Destinos são traçados.

3 comentários:

  1. Hahaha, muito bom!

    Lembro-me de Erick e Zingara... e de seus destinos...

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  2. Muito bom esse sargento Ber, hehe.

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  3. Erick e Zingara!!!! Erick e Zingara!!!

    Sinto saudades deles...

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