sexta-feira, 1 de abril de 2011

Histórias e Canções - Silmarilli (parte I)

Boa-tarde, nobres visitantes e aventureiros de Elgalor! Aqui me encontro novamente em minha segunda participação como colaboradora nesta terra de maravilhas, guerras e amores. E hoje pretendo continuar minha singela homenagem ao mestre Tolkien, dessa vez contando um pouco da fascinante história das misterisosas gemas em torno das quais gira grande parte da história do Silmarillion: as Silmarils (Simarilli em quenya).

No início da criação de Arda, o mundo imaginado por Tolkien, deuses e criaturas por eles criadas viviam em paz e harmonia na maravilhosa terra de Valinor, que poderíamos ver como uma espécie de paraíso. Em Valinor existiam duas árvores criadas pela deusa Yavanna Kementári: Laurelin, cujas folhas eram de um verde vivo e douradas na ponta, que emanava uma luz quente e acolhedora, e Telperion, cujas belas folhas prateadas encantavam a todos (posteriormente, tais árvores deram origem ao sol e à lua). Amadas eram essas árvores pelo povo de Aman (outro nome para as Terras Imortais). O Alto-Elfo Fëanor ("Espíritos de Fogo"), filho do rei Finwë de Tírion com sua primeira esposa Míriel (que morreu após o parto de Fëanor, por este ter uma energia muito forte que consumiu a mãe), um grande ferreiro e criador das mais belas obras de Valinor, num dia de grande inspiração, forjou três belíssimas gemas, as Silmarilli, que continham luz própria, a luz das árvores de Valinor. Diz-se em Contos Inacabados, que Fëanor teve a idéia de criar as Silmarilli ao observar os cabelos da elfa Galadriel, que tem destaque em O Senhor dos Anéis. Seus cabelos eram dourados como os de seu pai, Finarfin, porém, eram mais ricos, pois tinham algo da prata estelar dos cabelos de sua mãe Eärwen, e parecia que a luz das Árvores fora captada em seus cachos. Fëanor implorou três vezes por seus cabelos, que muito contemplava, mas ela, que não gostava dele, negou-lhe um fio que fosse. Mas, ao presentear a comitiva do anel, n’A Sociedade do Anel, ela deu três fios à Gimli, atendendo seu pedido, ao que ele respondeu que seriam a jóia da Casa dele, e que os guardaria num frasco de diamante (toma, Fëanor! caham, voltando...).

Fëanor criou as Silmarilli na Era das Árvores, antes do sol e da lua serem feitos, num período conhecido como A Primavera de Valinor. O valor delas, no universo ficcional de Tolkien, é próximo ao infinito, já que ninguém,nem mesmo Aulë, mestre das habilidades manuais, era capaz de recriá-las. Diz-se, também, que o próprio Fëanor não era capaz de fazê-las mais uma vez. As Silmarilli foram consagradas por Varda, a Inflamadora, a Rainha das Estrelas, e todo ser maligno que as tocasse, teria as mãos queimadas. As Gemas foram sua maior criação, e delas ele se tornou muito orgulhoso, influenciado por Melkor, o Vala (deus) Caído. Melkor, que mais tarde se tornará Morgoth, o mestre do famigerado Sauron, invejava tudo e todos e desejava as Silmarilli mais do que qualquer coisa.

Assim, Melkor semeou discórdia entre Fëanor e seu meio-irmão Fingolfin, até que Fëanor falou abertamente contra os Valar, dizendo que eles mantinham o povo de Aman sob seu jugo tirano, e sacou uma espada para Fingolfin. Por esse ato ele foi banido de Tirion por 12 anos, embora tenha se reconciliado com seu meio-irmão. Apesar de ter percebido as artimanhas de Melkor, Fëanor permaneceu desconfiado dos Valar e tornou-se excessivamente orgulhoso das Silmarilli.

Melkor, no entanto, continuou a trabalhar. Junto da terrível e faminta aranha Ungoliant, ele armou um terrível plano e envenenou as duas belas árvores de Valinor, que secaram e nunca mais brilharam. Os Valar então pediram a Fëanor que este lhes desse as gemas para que pudessem reviver as árvores; mas Fëanor, obcecado por sua criação, negou-lhes o pedido, dizendo que, se os Valar tomassem dele as gemas que amava, seriam iguais a Melkor. Nesse momento, o próprio Melkor, envolto na nuvem de escuridão de Ungoliant, roubou as jóias da Fortaleza de Fëanor, Formenos, e assassinou Finwë, pai de Fëanor, no processo - o primeiro sangue derramado na terra de Valinor.

Junto da aranha Ungoliant, fugiu para a Terra-média onde se refugiou em sua fortaleza, Angband (conhecida como o Inferno de Ferro), no norte da Terra-Média, que estava sendo guardada por seu lugar-tenente, Sauron. Melkor voltou ao seu trono no subsolo e forjou a Coroa de Ferro onde engastou as jóias de Fëanor.

Fëanor, ao tentar ir para a Terra-Média procurar suas jóias, fez o Juramento de Fëanor com seus sete filhos: Maedhros, Maglor, Celegorm, Caranthir, Curufin, Amrod e Amras, o que os prendia na luta contra todos aqueles que mantivessem as Silmarilli longe deles (fato que causou muito sofrimento para os sete). O Juramento culminou no Fatricídio de Alqualondë, onde os Noldor assassinaram os Teleri (elfos que viviam perto do mar), na cidade-porto de Alqualondë, quando sua exigência dos barcos lhes foi negada. Com isso, os Noldor perderam, temporariamente, as boas graças dos Valar. Os barcos telerim não eram suficientes em quantidade para levar todos os Noldor (que concordaram em ir na viagem) de uma só vez. Fëanor foi na primeira travessia Aman-Terra-Média, junto de seus filhos e aqueles que lhe eram importantes. Na costa oeste de Beleriand, ele queimou os barcos, desconfiado dos que foram deixados em Aman. Esses, como foram exilados pelos Valar, não podiam ficar daquele lado do mar, então cruzaram o Helcaraxë, uma ponte de gelo que ligava o norte de Aman ao norte de Beleriand. Nessa travessia, incontáveis elfos pereceram no vento gelado...

Deixo-vos com uma canção que descreve com perfeição este primeiro momento da história das Silmarilli - Nightfall.



Nightfall - Blind Guardian

No sign of life did flicker
In floods of tears she cried
"All hope's lost it can't be undone
They're wasted and gone"

"Save me your speeches
I know (They blinded us all)
What you want
You will take it away from me
Take it and I know for sure
The light she once brought in
Is gone forevermore"

Like sorrowful seaguls they sang
"(We're) lost in the deep shades
The misty cloud brought
(A wailing when beauty was gone
Come take a look at the sky)
Monstrous it covered the shore
Fearful into the unknown"
Quietly it crept in new horror
Insanity reigned
And spilled the first blood
When the old king was slain

chorus:
Nightfall
Quietly crept in and changed us all
Nightfall
Quietly crept in and changed us all
Nightfall
Immortal land lies down in agony

"How long shall we
Mourn in the dark
the bliss and the beauty
Will not return
Say farewell to sadness and grief
Though long and hard the road may be"
But even in silence I heard the words
"An oath we shall swear
By the name of the one
Until the world's end
It can't be broken"

Just wondering how
I can still hear these voices inside

The doom of the Noldor drew near

The words of a banished king
"I swear revenge"
Filled with anger aflamed our hearts
Full of hate full of pride
We screamed for revenge

chorus

"Vala he is that's what you said
Then your oath's been sworn in vain
(But) freely you came and
You freely shall depart
(So) never trust the northern winds
Never turn your back on friends"

"Oh I'm heir of the high lord!"
"You better don't trust him"
The enemy of mine
Isn't he of your kind and
Finally you may follow me
Farewell
He said

chorus

Back to where it all began

4 comentários:

  1. Mais uma excelente história, nos toruxestes, lady Astreya! A saga das silmarilis é uma das mais trágicas já escritas na história da fantasia medieval, e uma forte fonte de inspiração para todos nós.

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  2. Obrigada, lorde Odin. De fato, essa é uma história trágica mas também muito bela e rica. De fato é uma fonte de inspiração para todos nós.

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  3. Excelente história!! E muito bem contada pelos bardos do Blind Guardian! Nightfall in Middle-Earth é um álbum fantástico!!

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  4. Silmarillion é o meu livro favorito e Blind a banda favorita, ADOREI o post!! XD

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