quinta-feira, 21 de abril de 2011

Histórias de Beleriand: Nan-Tathren

Quinta-feira novamente. Como o tempo passa depressa quando não se usa Parar o Tempo! Por falar em tempo, este é meu 5° post, e nele trago mais uma tradução das aventuras ocorridas em Beleriand. Acho que deveria ter explicado antes (e talvez já tenham percebido), mas estas histórias são decorrentes de uma campanha de RPG que mestrei (e continou mestrando até hoje). Muitas dessas histórias são desconhecidas até pelos jogadores, pois fazem parte do pano de fundo do mundo e eles nem sempre fazem as perguntas certas nas sessões. Assim, este é um jeito de compartilhá-las e deles descobrirem o que perderam. Além disso, este é meu tributo à Bela Adormecida.


A
primeira união entre o povo dracônico e os humanos terminou em lágrimas e dor.
A segunda união ocorreu na mesma época de Grax e Catarina, mas foi mais frutífera. 


O berço desta união foi bem mais ao sudoeste, no Vale do Sirion, o Grande Rio que divide Beleriand em Ocidente e Oriente.

Diz-se que Nan-Tathren, a bela terra dos salgueiros, tem o poder de acalmar a mais agitada alma e que nem a mais profunda ferida subsiste por muito tempo naquela terra mágica. Lá, a confluência do rio Sirion com o rio Narog produz um som borbulhante, hipnótico, soporífero, e todos os seres da luz que ouvem este som mágico entram em um transe profundo, sonhando acordados, vagando pelos idílicos bosques ou repousando à sombra dos salgueiros.

Foi por isso que Anakaris decidiu adentrar Nan-Tathren. Sua alma estava profundamente perturbada com acontecimentos que ele havia visto no Espelho do Lago Helevorn. O futuro mostrado pelo Espelho era doloroso demais para ser real, mas os sinais eram evidentes. E sentir-se impotente ante o futuro, pelo menos para um grande e orgulhoso dragão prateado acostumado a conseguir o que quisesse, era desolador.

Assim ele conheceu Aurora. A donzela humana de sedosos cabelos loiros havia sido enviada para o bosque por seu pai, para se recuperar da perda de seu amado marido, afogado pelas terríveis Limneidas do Norte. E lá ela permaneceu, preferindo perambular pelos sonhos a encarar a dura realidade.

Após acordar de seu sonho curativo, Anakaris perambulou um pouco por entre os salgueiros, deixando seu pensamento vagar, até que quase tropeçou em Aurora, quase inteiramente coberta pelas folhas do outono. Mas o brilho do sol em seus cabelos dourados despertou o dragão do devaneio. Ele gentilmente assoprou as folhas acumuladas ao redor da moça para longe. Ele só conhecia o nome dela, Aurora, pois estava gravado em um medalhão que jazia em seu peito alvo, mas decidiu ficar e vigiar a donzela até que ela despertasse.

O inverno brando do sul veio e se foi, e ele manteve-a aquecida. A primavera cheia de vida chegou e ele manteve-a seca. O verão escaldante seguiu e ele manteve-a refrescada. Até que em um belo dia de verão ele decidiu conversar com Aurora. Ele conversou sobre as estrelas, sobre a lua, sobre o sol, as árvores, as montanhas, os rios, sobre tudo que conhecia, e sendo já bastante velho, havia muito a contar. Mas nada suscitava uma reação em Aurora.

Até que um dia ele começou a descrever a visão que teve no Lago Helevorn e como ele havia chego até lá. Ao terminar Aurora despertou...

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