sexta-feira, 25 de março de 2011

Histórias e Canções - J.R.R. Tolkien

Saudações, caros amigos e visitantes de nosso reino! Com muita alegria venho hoje atender o convite de Odin para que colaborasse com ele e Frodo na empreitada de escrever nos Reinos de Elgalor. Para que meus pergaminhos aqui possam diferenciar-se daqueles que exponho em meu humilde Cancioneiro, toda semana trarei a seção "Histórias e Canções", na qual contarei algum tipo de conto e o relacionarei com uma peça sonora. E hoje, para inaugurar minha participação nos Reinos de Elgalor, trago-vos uma pequena homenagem àquele que impulsionou meu alter-ego mortal a jogar RPG e, por consequência, adentrar neste mundo fantástico e encantador que é Elgalor: J.R.R. Tolkien.

John Ronald Reuel Tolkien, o criador da incrível saga "O Senhor dos Anéis", nasceu na África do Sul em 3 de janeiro de 1892 e partiu de nosso mundo para adentrar a Terra Média em 2 de setembro de 1973. Aos 3 anos de idade, passou a viver na Inglaterra com sua mãe e o irmão. Era fascinado por linguística desde tenra idade, e cursou a faculdade de Letras (!) em Exeter.

Tolkien lutou na Primeira Guerra Mundial, e foi então que começou a traçar os primeiros esboços de seu maravilhoso mundo secundário, Arda, palco de suas principais obras: O Hobbit, O Senhor dos Anéis e Silmarillion. Esta última foi sua grande paixão como obra literária, mas foi publicada postumamente.

A família de Tolkien teve origem na Saxônia (Alemanha), e o nome Tolkien é um anglicismo de Tollkiehn (em alemão, tollkühn, temerário, imprudente, que em uma tradução etimológica deveria ser dull-keen, algo como estúpido-sagaz). Seu pai, antes de unir-se à família na Inglaterra, contraiu febre reumática e morreu, o que fez com que a situação financeira da família se complicasse. Sua mãe, Mabel Suffield fazia parte da Igreja Anglicana, e quando tornou-se católica, sua família cortou a ajuda financeira que lhe dava, e assim ela morreu, por diabetes, sem tratamento na época. Tolkien, que considerava esse fato um sacrifício da mãe em nome da fé, converteu-se ao Catolicismo. Tolkien e seu irmão foram entregues então aos cuidados do Padre jesuíta Francis Xavier Morgan, que Tolkien mais tarde descreveu como um segundo pai, e aquele que lhe ensinara o significado da caridade e do perdão.

Foi em 1908 que conheceu uma jovem chamada Edith Bratt, três anos mais velha do que ele, quando John Tolkien e seu irmão foram alojados em uma abrigo onde morava a moça. Entretanto, seu tutor, o Padre Francis Morgan, descobriu a situação e, acreditando que este relacionamento fosse prejudicar a educação do rapaz, proibiu-o de vê-la até que completasse vinte e um anos, quando Tolkien alcançaria a maioridade. Na noite do seu vigésimo primeiro aniversário, Tolkien escreveu a Edith, e convenceu-a a casar-se com ele, apesar de ela já estar comprometida, e também converteu-a ao catolicismo. Juntos eles tiveram quatro filhos: John Francis Reuel Tolkien (1917–2003), Michael Hilary Reuel Tolkien (1920-1984), Christopher John Reuel Tolkien (1924-) e Priscilla Anne Reuel Tolkien (1929-).

Tolkien era um pai devoto. Essa característica mostrava-se bastante clara nos livros, muitas vezes escritos para seus filhos, como Roverandom, escrito quando um deles perdeu um cachorrinho de brinquedo na praia.

Algumas curiosidades:

A idéia de seu primeiro grande sucesso, O Hobbit, surgiu em 1928, enquanto Tolkien examinava documentos de alunos que queriam ingressar na Universidade e Tolkien contou que:

"Um dos alunos deixou uma das páginas em branco – possivelmente a melhor coisa que poderia ocorrer a um examinador – e eu escrevi nela: Em um buraco no chão vivia um hobbit, não sabia e não sei por quê".

Foi a partir desta frase que ele começou a escrever O Hobbit, somente dois anos depois, mas o abandonou no meio.



Quando Tolkien conheceu C. S. Lewis (escritor das Crônicas de Nárnia), este era agnóstico, e Tolkien logo se empenhou para convertê-lo ao catolicismo romano. No entanto, Lewis preferiu o anglicanismo, movimento protestante cristão no qual fora educado.

Tolkien era um homem apaixonado por idiomas e um exímio linguísta e filologo (indivíduo que estuda a evolução histórica das línguas). Quando criança se encantava com nomes galeses que via nos caminhões de carvão

Ele sempre foi avesso a trens, automóveis, televisão e comida congelada,e à indústria em si. Tolkien acreditava que essa dominação e controle que a tecnologia moderna exerce sobre o Homem, mesmo que usadas para o bem, "trazem sofrimento à criação". O um Anel é uma alegoria da tecnologia, um poder supremo que domina e traz o mal ao mundo onde está.

Tolkien are apaixonado pela esposa, Edith, e nela se inspirou para criar Lúthien, a elfa imortal e belíssima que se apaixona pelo humano mortal Beren. Com sua morte, após 55 anos de casamento, Tolkien refugiou-se na solidão em um apartamento na Universidade de Oxford. Numa carta ao seu filho Christopher, Tolkien escreveu, sobre sua mulher:

[…]"o cabelo dela era preto e sedoso, a pele clara, os olhos mais brilhantes do que os que vocês viram, e sabia cantar… e dançar. Mas a história estragou-se, e eu fiquei para trás, e não posso suplicar perante o inexorável Mandos". (Lúthien suplica ao deus dos mortos Mandos que deixe Beren voltar a vida quando este morre).

No epitáfio do túmulo dos dois, está escrito "Lúthien e Beren".


Finalizo este tratado, por demais longo, com uma bela canção típica irlandesa (Emigration Tunes) acompanhada de uma belíssima homenagem para Tolkien.



Que a beleza e o fantástico da Terra Média vos acompanhem, nobres aventureiros.

Astreya Adel Anathar Bhael

8 comentários:

  1. Ótimo post Lady Astreya!
    Tolkien é fonte de inspiração para autores do mundo inteiro.

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  2. Uau Bela Estréia nos Reinos de Elgalor, Astreya! Gostei bastante!

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  3. Realmente, este foi um dos melhores pergaminhos que já li! Não sabia de muitas coias reveladas aqui, como o significado do nome de mestre Tolkien.

    Meus parabéns, bela estrela do alvorecer!

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  4. Obrigada, amigos, acabou ficando longo demais mas espero que tenham apreciado.

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  5. Não ficou longo não... é bom ter alguns textos mais aprofundados, senão acaba ficando superficial.

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  6. Gostei muito do texto. Também me surpreendeu em vários pontos. Parabéns.

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  7. Tens razão, Frodo. Textos desta natureza são sempre muito bem vindos!

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