quinta-feira, 31 de março de 2011

Histórias de Beleriand: A Gema do Pesar

Olá elfos e raças inferiores. Durante meus estudos arcanos encontrei um livro relatando várias histórias sobre Beleriand, escritas em uma língua incompreensível por um bardo chamado Maglor. Traduzirei estas histórias para que possam inspirar-vos a serem mais como nós, os perfeitos altos-elfos, na busca pelo conhecimento. Boa leitura.


B
eleriand é uma terra antiga, cheia de mistérios, que já testemunhou o surgimento de grandes heróis e o avanço de terríveis servos do mal, presenciou silenciosamente sangrentas guerras, tanto justas como injustas e foi palco de amor e ódio entre raças. Beleriand é o meu lar, e também o de todos os heróis, cujos feitos serão apresentados adiante. Ela nos deu vida, como uma mãe; dela tiramos nosso sustento. Nela, e por ela, batalhamos, sangramos, amamos, odiamos, choramos, vivemos... morremos.  E, no fim de todas as coisas, retornamos ao seu seio.

Como já disse, Beleriand é uma terra antiga, tanto que suas origens estão perdidas nas brumas do passado. E quanto mais antiga uma terra for, mais mistérios acumulam-se. Esta história começará com um destes mistérios: a Gema do Pesar.

Dragões são criaturas inteligentemente ferozes, monstros. Mesmos os dragões bondosos são monstros, não no sentido pejorativo atribuído a muitas outras criaturas; apenas no sentido de não serem humanos: eles são o que são. É inconcebível, dada sua natureza dracônica, que um deles eles se apaixonasse por um simples humano. Mas este improbabilidade extraordinária ocorreu, não uma, mas duas vezes na história de Beleriand, e ambos os eventos tiveram um impacto profundo em todos os povos belerianos.

Grax, um antigo dragão de escamas douradas, vivia no Monte Dolmed, parte da grande cadeia das Montanhas Azuis, entre duas grandes cidadelas dos anões, Belegost ao norte e Nogrod ao sul. Ele havia expulsado todos os malditos lagartos brancos de seu território, e a região estava em paz há muitas décadas. Isso permitiu que um povoado humano se estabelecesse perto da passagem entre Beleriand e Eriador, que serpenteava abaixo do monte Dolmed.

O povoado, Reikja, prosperou graças à proteção de Grax e dos anões e aos inúmeros viajantes que buscam abrigo do frio implacável da região. Apesar de o dragão dourado proteger os habitantes de Reikja, não mantinha contato com eles, pois não entendia seus modos e preferia ficar em paz. Mas o destino, ou o que quer que seja, interveio e uma donzela, chamada Catarina, acabou adentrando a moradia de Grax acidentalmente, ao procurar um cabrito perdido. Grax, percebendo a chegada de uma intrusa inofensiva, adiantou-se para levá-la de volta ao povoado. Mas quando os olhos da pequena Catarina e do gigantesco Grax se encontraram, ocorreu uma transformação incrível no coração de ambos. Esse olhar despertou algo selvagem no coração da donzela e algo humano no coração de Grax: eles já haviam se conhecido antes e se amavam profundamente.

Todos podem imaginar o que ocorreu em seguida: ambos resistiram aos novos sentimentos no início, mas, com o tempo, entregaram-se à sua paixão e Catarina, fugindo de casa, foi viver com Grax sob o Monte Dolmed. A felicidade encontrada pelos dois foi intoxicante, e a vigília de Grax enfraqueceu.

A morte de Catarina foi um choque avassalador para Grax. Não cabe a mim descrever o que ocorreu naquela caverna escura que se tornaria o túmulo da bela Catarina. Apenas direi que o grande dragão dourado, ao retornar para seu lar e encontrar sua amada aos pedaços, urrou de tanta raiva e dor que causou inúmeras avalanches nas encostas das montanhas. Naquele momento, uma lágrima brotou de seu olho esquerdo, rolou por suas escamas e, antes de cair no chão, solidificou-se na Gema do Pesar.

Grax partiu em busca do assassino de Catarina e nunca mais retornou para o lar que havia sido de ambos. Mas a Gema permaneceu lá. E, aos poucos, suas emanações caóticas foram transformando o Monte Dolmed em um vulcão.

Uma centena de anos após o incidente, as energias da Gema conseguiram escapar do novo vulcão e começaram a afetar a região ao redor, com grande intensidade. Os rumores dos estranhos acontecimentos do Monte Dolmed chegaram até o sudoeste de Beleriand, onde um grupo de valorosos heróis decidiu partir em uma busca para descobrir o que estava causando tudo.

Eles enfrentaram muitos inimigos e tiveram muitas aventuras no caminho até o Monte Dolmed. À medida que chegavam mais perto do vulcão, viam coisas mais e mais estranhas. Cinco dias antes de chegarem ao vulcão encontraram um ente chorando, pois sua floresta havia sido queimada subitamente e sem explicação. Três dias antes de chegarem ao vulcão encontraram um kraken, morto, ao lado da estrada, seus tentáculos bloqueando o caminho. Dois dias antes de chegarem ao vulcão, viram uma grande labareda no meio do ar, mas que não se alimentava de nada. Dela, várias chamas menores surgiram, elementais de fogo, e atacaram os aventureiros. Eles nunca chegaram ao vulcão.

A Gema do Pesar continuou a crescer em poder e algum tempo depois explodiu, pois nem mesmo o pesar dura para sempre. A explosão destruiu as cidadelas de Belegost e Nogrod (Reikja já havia sido destruída pelas avalanches), deixando uma porta de entrada aberta no leste de Beleriand para seus inimigos.

4 comentários:

  1. Pelas minhas barbas, Aramil!

    Tu te superastes desta vez. Esta é uma incrível história, que trás consigo muito conhecimento e acontecimentos interessantes. Meus parabéns!

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  2. Hahaha, é impressão minha ou já conheço essa bela história? Esse grupo de aventureiros atacados por elementais do fogo me parece familiar de algum conto ouvido há anos atrás...

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  3. Sim, graças à incompetência de vocês, duas cidades dos anãos foram destruídas. Que vergonha!!
    Brincadeira, foi culpa do mestre (tpk).

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